Especialistas em psicologia positiva indicam como ter uma vida mais feliz

Raphaela Ramos
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RIO — "Felicidade é coisa séria." É o que defende o especialista em psicologia positiva Henrique Bueno. Ele é representante do World Happiness Fest (Festival Mundial da Felicidade) no Brasil, que acontece de forma on-line e gratuita nesta sexta e sábado (20 e 21 de novembro). O evento reúne palestrantes de diversos países para falar sobre a importância de uma vida mais feliz e como alcançá-la.

— Tem se falado muito de felicidade, às vezes de forma pouco embasadada. Mas a psicologia positiva é uma ciência que estuda esse assunto com rigor científico. É uma vertente da psicologia tradicional que surgiu a partir da visão de que estava na hora de não apenas compreender a doença, mas começar a investir esforço para entender o que dá certo: como algumas pessoas conseguem ser mais resilientes, positivas — explica Bueno, CEO e Fundador do Wholebeing Institute.

Mas o que é, afinal, a felicidade? O especialista afirma que existem diversas definições e muita subjetividade nesse conceito, mas utiliza a nomenclatura da professora Sonja Lyubomirsky, segundo a qual a felicidade é a experiência de contentamento, alegria e emoções positivas, combinadas com a percepção de que a vida tem sentido.

— Quanto mais experiências positivas e menos negativas se vive, mais feliz se tende a ser. Mas isso sozinho não basta. Precisa também de um componente intelectual, cognitivo, que é avaliar que sua vida vale a pena — diz ele.

Bueno destaca que a busca pela felicidade já seria válida pela experiência em si, mas as evidências têm mostrado que ela vai além e traz ganhos em várias dimensões:

— Pessoas mais felizes têm resultados melhores, têm relacionamentos mais positivos, são mais produtivas no trabalho. Algumas pesquisas mostram que pessoas mais felizes ganham mais em cargos semelhantes, vivem mais, têm mais saúde física — enumera.

Ele explica que existem três componentes que predizem os níveis de felicidade de um indivíduo: genético, algumas pessoas são mais tendentes a sentir emoções positivas e serem otimistas do que outras; ambiental, o contexto em que se está inserido afeta o bem-estar; e o pessoal, que inclui as escolhas e comportamentos individuais.

— A genética e o ambiente podem afetar para o bem ou para o mal, mas ainda assim podemos fazer escolhas e ter comportamentos que levem ao bem-estar — afirma. — A pandemia, por exemplo, dificulta, mas não tira a condição de fazermos escolhas melhores.

Conheça suas virtudes

A especialista em psicologia positiva Juliana Carneiro, que também participa do evento internacional, afirma que uma das formas para encontrar a felicidade é por meio do conhecimento das "forças de caráter". Segundo Carneiro, pesquisas sobre o tema identificaram 24 forças que todos possuem, mas cada um tem sua combinação de quais se manifestam de forma mais forte, média e mais fraca.

São virtudes como esperança, bondade, gratidão e autocontrole, por exemplo. Para conhecer sua classificação, é possível realizar testes, disponíveis na internet.

— As cinco primeiras são as que têm a ver com a sua essência, a forma como se comporta. A partir do momento em que as conhecemos, é preciso colocá-las em ação. Perceber como as usamos, e o que podemos fazer para usar mais. Quanto mais usamos nossas cinco primeiras forças, mais nos sentimos energizados, motivados, aumenta nosso senso de significado e bem-estar — explica Carneiro. — É um exercício constante. Um trabalho de autoconhecimento, mas também de autoestima.

Bem-estar em diferentes dimensões

Para uma vida mais feliz é preciso encontrar o bem-estar em diferentes dimensões. Bueno explica que, a partir desse modelo, é possível se olhar de forma específica e agir na área que mais precisa de atenção no momento:

Espiritual -Físico -Intelectual -Relacional -Emocional -

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