Vacina da J&J continuará suspensa nos EUA após especialistas adiarem votação

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Um painel com o logotipo dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças em Atlanta, Geórgia.

A pausa de todas as vacinações nos Estados Unidos com o imunizante da Johnson & Johnson continuará pelo menos por mais uma semana depois que os membros de um painel de especialistas convocado pelo governo disseram nesta quarta-feira (14) que precisam de mais tempo para avaliar o possível vínculo do fármaco com um transtorno da coagulação.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos convocaram uma reunião um dia depois de as autoridades informarem sobre seis casos - um deles fatal - de mulheres que desenvolveram coágulos cerebrais juntamente com uma contagem baixa de plaquetas no sangue nas duas semanas posteriores à administração da vacina de dose única.

A vacina foi aplicada em 7,2 milhões de americanos e na quarta-feira informou-se aos participantes da reunião sobre um sétimo caso de uma mulher de 28 anos com estes problemas.

Na reunião desta quarta-feira poderia-se decidir a limitação da vacina a alguns subgrupos da população, mas a maioria dos membros disse que ainda não se sentia confortável para tomar esta decisão sem ter mais dados.

"Não quero enviar a mensagem de que há algo fundamentalmente errado com esta vacina", disse Beth Bell, presidente do grupo de trabalho.

"Mas quero ser capaz de entender e defender a decisão que tomei, baseando-me em uma quantidade razoável de dados", acrescentou. A próxima reunião ainda não foi marcada, mas espera-se que ocorra entre uma semana e dez dias.

Mas a maioria considerou que, em vista da gravidade dos coágulos, que podem ter consequências neurológicas devastadoras mesmo sem serem fatais, e dada a abundância nos Estados Unidos de outras vacinas que não têm o mesmo risco de segurança, era preciso fazer mais estudos.

Antes da reunião, a diretora do CDC, Rochelle Walensky, disse aos repórteres na quarta-feira que duas das mulheres também tinham coágulos abdominais e que os sintomas são consistentes com os raros efeitos colaterais derivados da vacina AstraZeneca que foram relatados na Europa.

"Quero compartilhar com vocês minha confiança no sistema que temos", disse.

"Juntos, o CDC e o FDA (Administração Federal de Alimentos e Medicamentos) foram capazes de identificar esses eventos raros e agir rapidamente para alertar os profissionais de saúde, assim como o público", enfatizou.

As pessoas que receberam a vacina J&J devem relatar se apresentarem sintomas que incluam forte dor de cabeça, dor abdominal, dor nas pernas ou falta de ar.

Enquanto isso, os médicos foram instruídos a não tratar esses coágulos com a heparina comum mais diluída, porque isso poderia piorar a condição, de acordo com a principal hipótese biológica sobre as razões que estariam causando esse efeito.

Ambas as vacinas da J&J e da AstraZeneca são baseadas na tecnologia de vetores de adenovírus, que agora está sob escrutínio. Outros imunizadores de vetor de adenovírus incluem a Sputnik V da Rússia e o CanSino da China.

Casos envolvendo coágulos cerebrais ou abdominais junto com plaquetas baixas não foram associados a vacinas dos laboratórios Pfizer ou Moderna, que são baseadas na tecnologia de RNA mensageiro.

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