Especialistas em segurança criticam decisão de distribuir pistolas para PMs aposentados

A decisão da Polícia Militar de permitir que policiais da reserva possam requisitar pistolas, carregadores e munição da corporação não é bem vista por especialistas em segurança pública. Robson Rodrigues, coronel PM da reserva, antropólogo e pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, manifesta preocupação com a perspectiva de que mais 10 mil armas ganhem as ruas.

— Quanto mais armas você distribuir, maior será o problema de controle. Muitas vezes esse controle é deficiente, como demonstram todos esses desvios de armas das reservas das corporações, da PM especificamente. Então, no meu entendimento, esse me parece, com todo o respeito ao secretário, um tiro no pé. Você já tem uma preocupação imensa com quase 50 mil homens da ativa. Armar mais 10 mil da reserva vai trazer uma preocupação ainda maior — disse Rodrigues.

O coronel da reserva também critica o fato de que essas armas, um patrimônio público, venham a ser destinadas a PMs que não fazem patrulhamento ostensivo.

— O armamento, pago em tese pelo erário, será destinado para policiais da reserva. Há, no mínimo, um desvio de função ou de finalidade — opina Rodrigues.

Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Ivan Marques observa que o acautelamento de armas para PMs da reserva já foi adotado no Distrito Federal e pergunta:

— O contribuinte do Rio de Janeiro, o cidadão que paga imposto, quer pagar arma e munição para policial aposentado?

Em uma conta rápida, a distribuição de armas de fogo para o contingente hoje na reserva remunerada da PM fluminense será acompanhada pela entrega de, no mínimo, 500 mil munições.

— Isso tudo isso custa dinheiro, é um privilégio defendido por muitas associações de policiais militares do Brasil, mas o aposentado não está mais no exercício da profissão, ele voltou ao mundo civil — diz Ivan Marques, antes de arrematar: — Existe esse lobby de clubes de oficiais da reserva para que continuem armados para exercer outras funções fora do trabalho policial, que ele fazia antes como bico ou mesmos se envolvendo em situações pouco convencionais. Ao dispor dessas armas, o Estado do Rio de Janeiro parece estar financiando esse tipo de atividade extrapolicial.

Jacqueline Muniz, antropóloga e professora do Departamento de Segurança Pública da UFF, não economiza palavras em sua avaliação da mobilização da PM no estado para acautelar armas de fogo para policiais da reserva.

— Isso aí é a fantasia de criar um pseudo exército de reserva, e isso não fica de pé. O fato de um profissional de polícia estar na reserva não o torna qualificado para exercer poder de polícia. Ele é um aposentado, e isso é um simulacro de ampliação de efetivo. Ele vai cumprir escala de trabalho? Vai ser submetido a critérios de desempenho? Oi vai usar armamentos para pressupostos particulares, para bico, segurança informal e para brincar de chefe de condomínio, atirando em vizinho, como a gente já viu? Isso é vergonhoso — critica a antropóloga.

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