Especializado em logística, general vê cargo de nº 2 da Saúde como missão temporária

TALITA FERNANDES E DANIEL CARVALHO
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 21.05.2018: General Eduardo Pazuello durante coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Escolhido para ser o número 2 do Ministério da Saúde, o general Eduardo Pazuello encarou o pedido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como uma missão.

Comandante do 12ª Região Militar, em Manaus, o general desembarcou em Brasília no início da semana passada, dias antes de Luiz Henrique Mandetta ser demitido da Saúde.

Desde então, tem permanecido no Hotel de Trânsito do Exército, no Setor Militar Urbano, onde esteve com o presidente na terça-feira (21), quando sua indicação para ser secretário-executivo da Saúde foi fechada.

"A vida é dura, brother", disse a quem o procurou no feriado.

Escolhido para espelhar na Saúde o que o general Walter Braga Netto tem feito à frente da Casa Civil e do comitê de crise do novo coronavírus, Pazuello se diferencia do ministro por ter um estilo mais despachado e informal.

É comum, nos bastidores, ele usar os termos "brother" e "tamo junto". Foi com esse espírito de leveza e brincalhão que ganhou a simpatia dos que o conheceram durante a Operação Acolhida, em Roraima, criada ainda no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), em 2017, para lidar com a crise migratória de venezuelanos no Brasil.

O nome de Pazuello foi levado a Bolsonaro pelo grupo de generais ministros do Palácio do Planalto, em especial o chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno.

Antes mesmo da demissão de Mandetta, Bolsonaro e seus auxiliares mais próximos passaram a desenhar o que seria a nova pasta.

Ficou definido que um nome técnico comandaria o ministério, daí a escolha do médico oncologista Nelson Teich.

Preocupava os militares, porém, como uma pessoa sem experiência em gestão pública poderia se adaptar rapidamente ao cargo já que a situação de pandemia exige ações imediatas.

Foi nesse contexto que ficou decidido não fazer um ministério de "porteira fechada" para Teich, mas sim entregar a ele uma pasta com algumas cartas já marcadas.

Com isso, Bolsonaro pretende uma gestão compartilhada do Ministério da Saúde para evitar a repetição de conflitos que teve com Mandetta no primeiro mês da crise.

A aliados, Pazuello disse que, como um militar da ativa, vê o chamamento de Bolsonaro não como um convite, mas como uma missão.

Ele deixou claro, porém, que sua permanência em Brasília e no ministério tem caráter excepcional, e que pretende retornar ao comando da 12ª Região Militar.

O nome de Pazuello foi confirmado nesta quarta-feira por Teich em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em seu sexto dia à frente da pasta.

"Por que estou fazendo isso? Nesses poucos dias que estou aqui, a impressão que eu tenho é que a gente precisa ser muito mais eficiente do que a gente é hoje. A gente está falando de logística, de compras, de distribuição, e ele é uma pessoa muito experiente nisso."

O nome do general é bem aceito pelos ministros palacianos, que ressaltam sua experiência em logística em ações de emergência, comprovada, segundo eles, em papéis que desempenhou nas Forças Armadas, como na Operação Acolhida --administrada pelo Exército para a recepção de imigrantes venezuelanos--, que comandou entre março de 2018 e janeiro deste ano.

Em 2016, ele foi coordenador logístico das tropas do Exército que atuaram nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio de Janeiro.

A habilidade na área é apontada como essencial neste momento de pandemia em que é preciso habilidade na logística de distribuição de equipamentos e construção de hospitais de campanha, por exemplo.

Assim como Bolsonaro, o general de divisão Eduardo Pazuello passou pela Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), em Resende, Rio de Janeiro. Foi lá que, em 1984, formou-se como oficial de intendência, a área de logística do Exército. Em 2014, ascendeu ao posto de general-de-brigada e, em 2018, ao posto de general de divisão.

Pazuello ainda não foi nomeado oficialmente, mas trabalha para escolher uma equipe provisória para a saúde, que deve contar com civis e militares.

A ideia de Bolsonaro ao trazer o general é também dar tempo para Teich escolher com calma sua equipe. Enquanto isso, o general monta e ajuda a coordenar uma equipe de prontidão, que poderá ou não ficar no ministério, à escolha do chefe da pasta.

Teich tomou posse na semana passada, logo após a demissão de Mandetta, alvo de um desgastante processo de fritura promovido pelo presidente, que discordava da linha seguida pelo então ministro no combate à pandemia de coronavírus.