Espécie que inspirou desenho Pica-Pau é declarada extinta; causa são as mudanças climáticas

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Pica-pau-bico-de-marfim e o personagem de desenho. Foto: Reprodução
Pica-pau-bico-de-marfim e o personagem de desenho. Foto: Reprodução
  • Pica-pau-bico-de-marfim está em lista com outras 22 espécies

  • Desaparecimento foi causado por mudanças climáticas

  • Cientistas alertam para 'crise de extinção' global

O pica-pau-bico-de-marfim (Campephilus melanoleucos) está entre as 23 espécies declaradas oficialmente extintas pelo governo dos Estados Unidos nesta quarta-feira (29). A ave ficou famosa por ter inspirado o personagem de desenho norte-americano “Pica-Pau”.

Desaparecimentos como esse podem se tornar cada vez mais comuns por conta do aquecimento global, que representa um risco para a sobrevivência de plantas e animais, alertam cientistas.

O anúncio das extinções foi feito pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA. O pica-pau-bico-de-marfim é talvez a espécie mais conhecida da lista, justamente por ter inspirado o desenho animado.

No entanto, muitos dizem que o pica-pau-de-topete-vermelho também foi inspiração para o desenho. Apesar do debate, um episódio de 1964 de “Pica-Pau” mostra o protagonista folheando um livro, no qual vê imagens de si mesmo com o nome científico da espécie, Campephilus melanoleucos.

Lista de espécies extintas

Entre outros animais que autoridades norte-americanas declararam extintos está o pigtoe (Pleurobema plenum), um mexilhão-de-água-doce do sudeste dos Estados Unidos, que foi identificado na natureza apenas algumas vezes. Na lista há outras espécies raras, que mal receberam um nome e já desapareceram.

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"Quando vejo uma dessas espécies realmente raras, sempre penso que posso ser o último a ver esse animal novamente", lamentou Anthony Ford, biólogo do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, no Tennessee, especialista em mexilhões-de-água-doce.

Entre as explicações para os desaparecimentos estão o desenvolvimento excessivo, poluição da água, extração de madeira, competição de espécies invasoras, pássaros caçados por suas penas e animais capturados por coletores particulares. Em todos os casos, os humanos foram a causa final.

No mundo todo, cerca de 900 espécies foram declaradas extintas, mas especialistas acreditam que o número real deve ser muito maior, porque há espécies ainda não identificadas formalmente. Cientistas alertam também que o planeta se encontra em uma "crise de extinção", com a flora e a fauna desaparecendo a uma taxa mil vezes maior que a histórica.

Especialistas dizem que é prematuro declarar extinção de pica-pau

Cientistas afirmam também que uma ou mais espécies desta última lista podem reaparecer. Um especialista no pica-pau-bico-de-marfim disse que é cedo para cancelar o esforço de busca pela ave, depois de milhões de dólares gastos em ações de procura e preservação do habitat.

"Pouco se ganha e muito se perde" com uma declaração de extinção, afirmou o biólogo de aves da Universidade Cornell John Fitzpatrick, principal autor de um estudo de 2005 que dizia que o pica-pau havia sido redescoberto no leste do Arkansas.

"Um pássaro tão icônico e representativo das principais florestas primárias do sudeste, mantendo-o na lista de espécies ameaçadas de extinção, mantém a atenção nele, mantém os estados pensando em manejar o habitat na chance de ele ainda existir", opinou.

A declaração de extinção, segundo autoridades federais, foi impulsionada pelo desejo de limpar um acúmulo de alteração de status recomendadas para espécies que não haviam sido implementadas por anos. A mudança de status liberaria recursos de conservação para espécies com mais chances de recuperação.

Desde 1975, 54 espécies conseguiram deixar a lista de ameaçadas de extinção depois de uma recuperação, entre elas a águia careca, o pelicano marrom e a maioria das baleias jubarte.

Recuperação cada vez mais difícil com mudanças climáticas

Com o aumento de secas, inundações, incêndios florestais e mudanças de temperatura causadas pelas mudanças climáticas, a recuperação de espécies está cada vez mais difícil.

Também enfrentam novos desafios as próprias ações para salvá-las. Agora, o foco das autoridades não é mais salvar espécies individuais, mas sim preservar o habitat, de forma que aumente todas as espécies que habitam o local.

"Espero que estejamos à altura do desafio", afirmou a bióloga Michelle Bogardus, do serviço de vida selvagem do Havaí. "Não temos recursos para prevenir extinções unilateralmente. Temos que pensar proativamente sobre a saúde do ecossistema e como a mantemos, dadas todas essas ameaças".

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