Espera aí: quem tomou a vacina da AstraZeneca não pode doar órgãos? Entenda!

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Na pandemia da COVID-19, a doação de órgãos se tornou uma questão ainda mais complexa. Isso porque pessoas que faleceram, nesse período, precisam ser testadas para a doença e, obrigatoriamente, não podem estar infectadas pelo coronavírus SARS-CoV-2. Agora, pesquisadores britânicos identificaram, aparentemente, uma nova limitação: aqueles que foram imunizados com a vacina Covishield (AstraZeneca/Oxford) e que enfrentaram casos de trombose não deveriam ser doadores.

Em publicação feita na revista científica American Journal of Transplantation, uma equipe de médicos do Reino Unido orientou que "os transplantes de fígado, pulmão, pâncreas e intestino delgado de doadores com VITT [trombose e trombocitopenia induzidas por vacinas] só devem ser realizados em situações de urgência". É o que concluíram após um pequeno estudo com 13 doadores.

Pacientes que receberam a vacina da AstraZeneca e tiveram trombose não devem doar órgãos, sugere pequeno estudo britânico (Imagem: Reprodução/iLexx/Envato Elements)
Pacientes que receberam a vacina da AstraZeneca e tiveram trombose não devem doar órgãos, sugere pequeno estudo britânico (Imagem: Reprodução/iLexx/Envato Elements)

Entenda o motivo

Após aplicação da vacina Covishield, os pesquisadores identificaram um efeito adverso raro que afeta um pequeno número de vacinados contra a COVID-19, a trombose e trombocitopenia induzidas por vacinas (VITT). Nesses casos, ocorre uma reação muito expressiva do sistema imunológico contra o adenovírus usado no imunizante e o sistema se volta contra o próprio corpo do paciente. No processo, o organismo se confunde e gera anticorpos contra as suas próprias plaquetas, o que possibilita a formação dos coágulos sanguíneos.

No levantamento sobre a doação de órgãos, os autores contam que "identificamos 13 doadores de órgãos falecidos, que apresentaram trombose e/ou hemorragia e características laboratoriais consistentes com VITT, entre 28 de janeiro e 9 de abril de 2021". Em comum eles tinham recebido pelo menos uma dose da fórmula da AstraZeneca.

Em seguida, os membros da equipe analisaram o que aconteceu com os pacientes que receberam essas doações. Após a análise, os pesquisadores observaram alguns riscos para os transplantados, além daqueles já esperados. Por exemplo, foram observados casos de trombose, de sangramentos significativos e outros problemas, incluindo óbito. No entanto, eles ainda não sabem determinar o significado clínico dessas reações.

Dessa forma, os autores recomendam novos estudos sobre a questão e acompanhamento dos receptores por um período mais. "Nesse ínterim, o transplante de órgãos desses doadores só deve prosseguir após uma consideração cuidadosa dos métodos de recuperação de órgãos e dos riscos e benefícios para um receptor potencial, e uma discussão de consentimento apropriada", afirmam.

Para acessar o artigo sobre a doação de órgãos, publicado na revista American Journal of Transplantation, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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