Esperançosos, camponeses peruanos aguardam apuração do voto rural

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Apoiadores do candidato de esquerda Pedro Castillo em Tacabamba, região de Cajamarca, em 6 de junho de 2021

Desafiando o toque de recolher e a lei seca, centenas de camponeses dançaram na madrugada desta segunda-feira (7) em Cajamarca, reduto do candidato Pedro Castillo no norte do Peru, esperançosos de que seu voto derrote Keiko Fujimori.

Na cidade de Tacabamba, onde Castillo recebeu os primeiros resultados da votação de domingo, camponeses de várias cidades se reuniram ao entardecer em frente a um palco com tecidos brancos e vermelhos, as cores da bandeira peruana, ao ritmo de uma orquestra musical andina.

"Vamos com fé, Pedro presidente", cantava Doraliza Herrera, de 25 anos.

No palco, um grande retrato do candidato esquerdista com a frase "Chega de pobres em um país rico", seu lema nesta campanha polarizada contra a direitista Fujimori.

Ninguém em Tacabamba prestou atenção à recomendação de manter distância devido à pandemia, e mulheres e homens dançaram sem parar, como costumam fazer em fevereiro, nos dias de carnaval.

Durante a celebração, que durou várias horas, todos esqueceram que na região de Cajamarca existe um "risco extremo" de contágio por covid-19, segundo as autoridades sanitárias.

Alguns nem usavam máscara, o que é obrigatório nas vias públicas do país, que tem a maior taxa de mortalidade por covid-19 do mundo desde a semana passada.

Muitos homens e mulheres beberam cerveja, apesar de uma lei seca estar temporariamente em vigor no país.

"A voz do povo é a voz de Deus. A população peruana escolheu bem", repetia Jerson Sánchez, de 23 anos, com entusiasmo.

Embora os primeiros resultados parciais da votação apontem Castillo como o perdedor, os habitantes locais esperam uma mudança da tendência com o avanço da contagem dos votos.

"Espero que Pedro possa ser presidente", disse Adamiro Rafael em frente às instalações do Perú Libre, o partido de Castillo.

Vários especialistas e as próprias autoridades eleitorais peruanas disseram que os votos do campo, da selva e do exterior - que demoram a ser contados - podem definir o resultado.

"Ainda falta contabilizar nossos votos", disse o próprio Castillo após ouvir o primeiro relatório da contagem dos votos.

No primeiro boletim do órgão eleitoral, quase à meia-noite, Fujimori superava Castillo em quase seis pontos, mas nas primeiras horas desta segunda-feira a distância havia diminuindo.

"Estamos convencidos de que Pedro Castillo é o novo presidente do Peru", disse à AFP Sergio Sánchez, 60, líder das "rondas camponesas", criadas na década de 1970 em Cajamarca para combater criminosos e ladrões de gado.

O "rondero" mais proeminente de Cajamarca é o candidato de esquerda.

Sete milhões, dos 33 milhões de peruanos, vivem em áreas rurais. Durante três décadas, o campo foi o feudo eleitoral do fujimorismo direita populista), mas a situação mudou nesta campanha, na qual Castillo conseguiu cativar o "Peru profundo".

Vários camponeses disseram que apoiavam Castillo porque os humildes habitantes do campo "sempre" foram esquecidos pelos governantes de Lima.

"Devemos dar [a Castillo] a oportunidade porque conhecemos os outros há muito tempo", disse Augusto Regalado, de 35 anos.

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