"Esperem o pior, esperem o que vocês nunca viram", diz prefeito de Manaus sobre nova variante da Covid-19

CAMILA MATTOSO
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View of the tomb of a COVID-19 victim with the Brazilian flag at the Nossa Senhora Aparecida cemetery in Manaus, Amazonas state, Brazil, on January 22, 2021, amid the novel coronavirus pandemic. (Photo by MARCIO JAMES / AFP) (Photo by MARCIO JAMES/AFP via Getty Images)
Sepultura de vítima da Covid-19 no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus (MARCIO JAMES/AFP via Getty Images)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), diz que a flexibilização no Amazonas promovida pelo governador Wilson Lima (PSC) tem acontecido de maneira excessivamente veloz e lhe causa preocupação.

Nesta sexta-feira (5), Lima afirmou que vai ampliar os horários de abertura de lojas em geral, shoppings centers e restaurantes.

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Com taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para Covid-19 em 88% e cem pacientes ainda na fila por uma vaga nos hospitais públicos, a capital do Amazonas viveu colapso em janeiro, com falta de oxigênio para pacientes.

Almeida diz que a nova variante é incontrolável e avisa: "Esperem o pior, esperem o que vocês nunca viram".

“Uma pessoa que ficava dez dias internada agora fica 30. A variante tem muito mais contágio, é muito mais forte. As pessoas ficam mais tempo em UTI e represa toda a demanda. É por isso que as pessoas ficam em corredores, macas e ambulâncias”, afirma o prefeito ao Painel.

"Sem vacina eu temo por terceira, quarta, quinta onda. Porque não tem controle da nova variante, não", acrescenta.

Almeida diz ver com preocupação a possibilidade de acontecer com o resto do país o que se passou em Manaus. Para ele, nesse momento, só medidas restritivas podem salvar.

"Se não fechar tudo, vão passar pelos mesmos problemas de Manaus", explica. "O que aconteceu em Manaus vai acontecer no Brasil se as regras de distanciamento não forem respeitadas.”

O prefeito ainda comentou que o único tratamento precoce que existe é o isolamento. Como revelou o Painel, o Ministério da Saúde montou uma força-tarefa pró-cloroquina no pior momento da cidade.

"Só tem um tratamento: distanciamento social. Se tem tratamento precoce é o isolamento. Vejo com muita preocupação a situação do restante do país. Espero que não aconteça o que aconteceu em Manaus, que foi muito, muito por desobediência ao distanciamento, pouco uso de máscara. As pessoas só vão sentir na pele quando estiverem com alguém próximo precisando de atendimento e não conseguir. Estamos aprendendo pela dor”, afirma.

Almeida afirma que o governo do estado tem promovido as aberturas rapidamente por pressão do comércio local, que tem tido resultados catastróficos.

"Não vejo da forma que está sendo vista pelo estado. Flexibilização muito grande. Estamos abrindo, avançando na flexibilização, mas não concordo com a flexibilização que está sendo feita. Muito ampla. Precisa ser feita, mas não de forma tão ampla", diz Almeida ao Painel.

O cálculo feito pelo governo do estado, acredita o prefeito, parte do fato de que 74% das pessoas que morreram na cidade até o momento tinham mais de 60 anos.

Como a cidade já iniciou a vacinação de quem tem 65 anos e prevê completar a vacinação de todos os sexagenários na semana que vem, Lima decidiu liberar o comércio, avalia Almeida.

No entanto, diz, caso faltem vacinas acontecerão novas ondas pandêmicas na cidade.

Nesta quinta (4), 14 pessoas foram sepultadas em Manaus, vítimas de Covid-19. Foi o menor número dos últimos 65 dias, diz o prefeito.

"Ainda ontem faleceu o arcebispo emérito, hoje faleceu um apóstolo de uma igreja. As pessoas ainda estão morrendo. Com o avançar da vacinação a tendência é chegar a uma normalidade nos próximos meses, caso tenhamos vacina", conclui.