“Espero que elas levarão a paz”: floricultor ucraniano envia milhares de rosas para cidade palco de massacre

Um floricultor de Pokrovsk, cidade no leste da Ucrânia, decidiu fazer um gesto simbólico para mostrar seu apoio aos compatriotas: enviar lotes de rosas para uma das regiões mais atingidas pela guerra no país.

Anastasia Becchio e Boris Vichith, enviados especiais da RFI a Pokrovsk (Ucrânia)

Até 24 de fevereiro Victor Massiouk empregava cerca de 20 pessoas para cuidar de seus 15 hectares de plantações de flores ao norte de Donetsk. Sua produção era vendida em todo o país. Mas isso foi antes da ofensiva russa ter sacudido toda a atividade econômica ucraniana, principalmente na região do Donbass, onde se concentram as principais tropas russas. As fábricas não estão funcionando, muitas lojas permanecem fechadas, e os agricultores que continuam tentando cultivar suas terras não conseguem vender o fruto de suas colheitas, já que as exportações estão comprometidas.

Massiouk conseguiu preservar quatro funcionários, que tentam manter as terras férteis. “Tudo está parado. Dá pena”, se desola diante das plantações. “Estamos a cerca de 50 km da linha de frente e ouvimos disparos dia a noite”, relata.

Floricultor há mais de 30 anos, Massiouk é um apaixonado pelas rosas que, segundo ele, “acalmam o coração”. Por essa razão, desde que ficou sabendo do massacre em Bucha, cidade na periferia de Kiev alvo de um ataque russo em no início de abril, ele disse que suas flores poderiam reconfortar a população e decidiu enviar milhares de flores aos moradores da região.

“Eu quero provar que aqui também tem gente de bem e que nós também somos sensíveis. Talvez seja por essa razão que a Ucrânia luta tanto pelo Donbass, para que a região continue sendo ucraniana”, tenta explicar.


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