Espionagem americana preocupa europeus

BRUXELAS - A notícia de que os Estados Unidos podem espionar cidadãos europeus usuários de serviços americanos como Facebook e Google não caiu bem aos olhos da União Europeia. O bloco discute a privacidade online e se sente ameaçada pela superioridade técnica da Inteligência americana no ciberespaço - considerado um novo domínio da geopolítica mundial.

A comissária da União Europeia para Justiça, Vivian Redding, afirmou que as notícias comprovam a necessidade de proteger os direitos individuais. "Esse caso mostra que um reforço legal claro para a proteção dos dados pessoais não é um luxo ou um constrangimento, mas um direito fundamental", disse em nota. "É tempo de o Conselho (Europeu) provar que pode agir com a mesma determinação em uma peça que fortaleça tal direito".

Os alemães, que têm restritas leis de privacidade, também demonstraram preocupação.

- O governo americano precisa ser claro em relação a essa monstruosa alegação do monitoramento total de várias comunicações e serviços de internet - criticou Peter Schaar, comissário para Proteção dos Dados e Liberdade de Informação da Alemanha. - Declarações do governo americano de que o monitoramento não estava dirigido a cidadãos americanos, mas apenas a pessoas fora dos EUA, não me tranquilizam em nada.

O "Washington Post" afirmou que um programa secreto de espionagem em massa chamado Prism - estabelecido durante o mandato de George W. Bush - teve um "crescimento exponencial" durante o governo de Barack Obama.

Europa estuda restrições

De acordo com o "Post" e o britânico "Guardian", o governo tem acesso direto aos servidores centrais de grandes empresas americanas da internet, que estimulam cada vez mais a utilização de serviços online. Atualmente, a Europa estuda adotar regras mais impositivas de restrição da exportação dos dados a outros países, o que incluiria os EUA.

Acordos transatlânticos de compartilhamento de dados financeiros entre cidadãos europeus têm demorado anos para serem finalizados. A UE tenta agora modernizar suas leis de privacidade, que já têm quase 20 anos.

- Você ouve mais preocupações na Europa do que nos Estados Unidos com a Lei Patriótica - disse Mark Watts, sócio da firma Bristows, especializada em privacidade de dados, sobre a lei americana considerada um dos pilares legais da Casa Branca para fazer espionagens em massa.

Para vários analistas, algumas das dificuldades que países europeus enfrentam no combate a abusos na privacidade sobre dados advêm da inveja que certos governos têm dos poderes das forças de segurança dos EUA.

O Reino Unido, por exemplo, fortalece sua já poderosa capacidade de monitoramento ao desenvolver uma ferramenta que pode ser a mais poderosa de vigilância do Ocidente. Nesta sexta-feira, o "Guardian" mostrou que a agência de espionagem britânica GCHQ tem reunido inteligência sobre o Prism e tem acesso ao sistema desde junho de 2010.

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