Esposa de indigenista desaparecido acredita que ele pode ser encontrado com vida

Manifestantes pedem mais esforços de busca por jornalista e indigenista desaparecidos em frente à embaixada brasileira em Londres. (Foto: Victoria Jones/PA Images via Getty Images)
Manifestantes pedem mais esforços de busca por jornalista e indigenista desaparecidos em frente à embaixada brasileira em Londres. (Foto: Victoria Jones/PA Images via Getty Images)
  • Beatriz Matos relata preocupação com os filhos pequenos do casal

  • Esposa comenta por que indigenista deixou a Funai

  • Ela critica declarações do presidente Bolsonaro sobre o caso

O indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips completam dez dias desaparecidos nesta segunda-feira (13). A esposa de Bruno acredita que a dupla pode ser encontrada com vida, e que podem estar perdidos ou escondidos na floresta.

"Eu acredito que os dois podem sobreviver na floresta, sem comida, ou com os recursos que eles têm. Então, há algo dentro de mim que diz que ele pode estar perdido, que ele pode estar escondido", declarou Beatriz Matos, ao programa Fantástico, da TV Globo.

Beatriz e Bruno são pais de duas crianças, de 2 e 3 anos. A mãe conta que tenta proteger os filhos das notícias, e mantém a televisão desligada em casa. "Estou tentando me manter firme. Estou tentando preservar meus filhos, que são muito pequenos", afirmou a antropóloga, que também atuava na região do Vale do Javari, onde seu marido desapareceu.

Segundo ela, o indigenista deixou a Funai (Fundação Nacional do Índio), mesmo fazendo um trabalho "muito sério, muito reconhecido nacionalmente, internacionalmente".

"Teve uma ação, por exemplo, que ele fez, de detonação de balsas de garimpo no sul da terra no Vale do Javari. Então ele foi exonerado do cargo coordenador", contou. "Nas condições que a Funai estava, ele não poderia continuar o trabalho que ele estava realizando, então ele teve essa opção de se licenciar da Funai para poder trabalhar como assessor da Univaja".

Assim como a esposa do jornalista, Alessandra Sampaio, Beatriz fez um apelo para que os esforços de busca sejam intensificados e comentou as declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre o caso: "ofendem e doem muito". Na última quinta-feira (9), o mandatário disse que os dois "foram para uma aventura" e que "lamenta pelo pior".

“São afirmações que contradizem a extrema dedicação, a seriedade, o compromisso que o Bruno tem com o trabalho dele. (...) Essas afirmações, que me ofendem muito e que me doem muito, porque foi trabalhando que aconteceu o que aconteceu com ele. Ele estava trabalhando. E se o local de trabalho dele, meu, e de tantos outros virou um local perigoso, que a gente precisa usar a escolta armada pra poder trabalhar, tem algo muito errado aí. E o erro não está conosco. O erro é de quem deixou que isso acontecesse”, disse a esposa.

Ainda segundo a esposa, nenhuma autoridade a procurou para prestar apoio. "Nem a Funai, nem nenhum órgão. A não ser, acho, que um delegado da Polícia Federal. E do governo, do Executivo, ninguém me procurou, ninguém ofereceu apoio para mim, nenhum".