Esposa de Humala nega declaração de Odebrecht sobre repasse à campanha

Lima, 12 abr (EFE).- A esposa do ex-presidente do Peru, Ollanta Humala, Nadine Heredia, negou nessa quarta-feira que a Odebrecht tenha repassado um suborno de US$ 3 milhões para a campanha presidencial de 2011, tal como declarou Marcelo Odebrecht em sua delação premiada.

"Não tenho ideia de porque mentiriam, mas não é corroborável e não é certo", respondeu Heredia em entrevista à emissora "Canal N", após a divulgação em Lima da declaração de Odebrecht no Brasil.

Segundo sua delação premiada na Operação Lava Jato, o executivo admitiu que, a pedido do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, entregou, "via Setor de Operações Estruturadas, US$ 3 milhões ao candidato à presidência de Peru, Ollanta Humala" para a campanha presidencial de 2011.

As declarações de Odebrecht coincidem com as feitas pelo ex-diretor da construtora no Peru, Jorge Barata, ao procurador peruano Hamilton Castro, no último mês de fevereiro, sobre o pagamento de US$ 3 milhões à campanha de Humala, que concluiu com sua eleição para o período 2011-2016.

As doações foram feitas a pedido do PT e algumas foram entregues pessoalmente a Heredia, segundo as declarações de Barata divulgadas pela imprensa peruana em fevereiro.

A ex-primeira-dama acrescentou que Odebrecht e Barata pertencem a uma mesma empresa, que "quer salvar suas operações no Peru" e que "tudo que foi dito (por ambos) tem que ser corroborado" pelas autoridades peruanas.

Nesse sentido, pediu que tudo seja corroborado com o levantamento de seu sigilo bancário e com a verificação de se tem alguma empresa offshore com a qual se possa confirmar as acusações da construtora brasileira.

O Ministério Público peruano investiga Humala e Heredia, ambos líderes do Partido Nacionalista Peruano (PNP), por lavagem de ativos por supostamente ter gerenciado um financiamento ilegal de sua legenda durante as campanhas para as eleições presidenciais de 2006 e 2011.

A Odebrecht é investigada por ter subornado governos e autoridades de uma dúzia de países de América Latina e África para obter importantes contratos.

Marcelo Odebrecht foi detido em junho de 2015 e condenado a mais de 19 anos de prisão, enquanto Palocci foi detido em setembro de 2016 acusado de intermediar entre o governo e a construtora para o pagamento de propinas e subornos em troca da obtenção de contratos.

No Peru, a Odebrecht admitiu que pagou subornos de US$ 29 milhões entre 2005 e 2014 a funcionários e autoridades para obter licitações de obras públicas em um período que compreende os governos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016). EFE