Israel sanciona ONU e corta US$ 1 milhão por resolução crítica

Jerusalém, 3 mai (EFE). - Israel cortará em US$ 1 milhão os fundos que destina à Organização das Nações Unidas (ONU) em resposta à resolução aprovada ontem pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que censura sua atividade como "potência ocupante" em Jerusalém Oriental e em Gaza.

Assim o notificou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao diretor-geral do Ministério de Assuntos Exteriores do país, Yuval Rotem, ao assegurar que Israel "não ficará de braços cruzados enquanto a organização nega nossa sua soberania em Jerusalém", informou um comunicado oficial.

Na nota, que trazia as palavras do chefe de governo durante a reunião semanal com seu gabinete, Netanyahu se mostrou agradecido com os países que votaram contra a resolução, especialmente a Itália.

"Foi o primeiro país europeu que anunciou que iria se opor à decisão, como também fez Grécia, Reino Unido, Alemanha, Lituânia e os Holanda", e estendeu seu reconhecimento a Ucrânia, Paraguai e Togo, os dez que se opuseram.

Ao todo, 23 países se abstiveram e 22 apoiaram o texto da Unesco que condena as atividades de Israel em Jerusalém Oriental, ocupada desde 1967 e reclamada pelos palestinos como capital de seu Estado, e o impacto do bloqueio que o país impõe sobre a Faixa de Gaza há dez anos.

A organização lamentou "a rejeição das autoridades da ocupação a cessar suas persistentes escavações, túneis, obras e projetos em Jerusalém Oriental, e em particular dentro e fora da Cidade Velha", sobre a que destacou sua importância para as três principais religiões monoteístas. E reprovou "o contínuo fechamento por Israel da Faixa de Gaza que afeta negativamente a livre circulação de pessoas, estudantes e ajuda humanitária", e reclamou que "suavize este fechamento".

Netanyahu afirmou, no entanto, que cada vez há mais países que se opõem a este tipo de decisões, que insistiu hoje em qualificar de "absurda" como já fez ontem, da mesma forma que o presidente de Israel, Reuven Rivlin, após conhecer o resultado da votação.

Hoje também o Ministério de Assuntos Exteriores de Israel advertiu Carl Magnus Nesser, o embaixador da Suécia em Israel e que foi "o único país europeu que votou contra", apontou um comunicado no qual o organismo mostrou sua "decepção" por esta decisão.

Por sua vez, o Departamento de Exteriores de Israel parabenizou à resolução e destacou que a Unesco "reafirma a crucial importância de Jerusalém como patrimônio mundial e a necessidade de confrontar os perigos que representam as práticas ilegais de Israel, a potência ocupante, na cidade e outros lugares".

É a terceira vez nos últimos meses que Netanyahu ordena cortar o financiamento a organismos e agências da ONU em represália por resoluções críticas a Israel aprovadas pelo Conselho de Direitos Humanos e pelo Conselho de Segurança, que condenou os assentamentos. EFE

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