Esquema de corrupção na prefeitura do Rio começou com fraude em licitação no Carnaval

Luiz Ernesto Magalhães
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Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

O primeiro indício encontrado pelo Ministério Público de que havia um esquema de corrupção montado na prefeitura do Rio foi constatado na organização do Carnaval de 2018. O esquema envolveu a escolha da empresa responsável pela montagem da estrutura dos desfiles da Avenida Intendente Magalhães — onde se apresentam as escolas dos grupos de acesso — e também na seleção de uma empresa que ganhou licitação para atuar em um camarote na Sapucaí.

A informação, com base em trechos da delação premiada do doleiro Sergio Mizrahy, consta em documentos da primeira fase da operação Sagres, realizada em setembro. Na ocasião, a residência de Crivella, no condomínio Península, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e de outros presos na operação desta terça-feira, foram alvo de mandados de busca e apreensão.

Segundo a denúncia, a Sagre Consultoria Empresarial foi escolhida de forma irregular, com valores superfaturados, e subcontratou a Rio Esporte Show Eventos Ltda. Foi Mizrahy quem indicou a Rio Esporte para Rafael Alves ''para que fosse subcontratada por valores superfaturados e efetuasse os futuros repasses dos valores desviados dos cofres públicos'', diz um trecho do documento.

Segundo o portal da transparência da prefeitura, desde 2015 — ainda na gestão de Eduardo Paes —, a Sagres Empresarial firmou contratos no valor de R$ 2,6 milhões, dos quais R$ 2,3 milhões já foram quitados. Os contratos foram fechados com a Riotur e a Secretaria municipal de Cultura através da Lei de Incentivo à Cultura.

No caso do Sambódromo, segundo a denúncia, Rafael Alves pediu propinas a um grupo de empresários para viabilizar a redução dos valores cobrados a título de aluguel para a instalação dos camarotes. A comercialização desses espaços é feita pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), mas a prefeitura e o governo do Estado sempre tiveram cotas por eles.

Por decisão de Crivella, o camarote da prefeitura passou a ser negociado em leilão. Além disso, o município também passou a vender outros ''puxadinhos'', que não estavam no contrato de cessão de camarotes para a Liesa. Um desses espaços teria viabilizado o Camarote ''número 1''. Em um carnaval, o empresário teria começado a anunciar o espaço antes mesmo de ''não ter fechado com ele (Rafael)". A informação aparece em mensagens de WhatsApp trocadas entre Alves, na qual se apresenta como Trump Rafael Alves, e o doleiro.