Esquerda cresce na Câmara de SP, puxada por PSOL; apoiadas por Bolsonaro têm desempenho fraco

Suzana Correa
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Créditos: Divulgação/Karla Boughoff
Créditos: Divulgação/Karla Boughoff

SÃO PAULO — Os resultados finais da apuração das eleiçõesdeste domingo mostraram crescimento da esquerda na Câmara Municipal de São Paulo,puxado pelo aumento no número de vereadores do PSOL de Guilherme Boulos. Asigla, que tinha dois nomes na casa, passará a ter seis. PT e PSDB seguem comas maiores bancadas, com oito vereadores cada.

Entre as candidatas apoiadas por Jair Bolsonaro (sempartido) e divulgadas em lives pelo presidente, Clau de Luca (PRTB) recebeuapenas 5.793 votos e não se elegeu. Sonaira Fernandes (Republicanos) foi eleita na 52ª posição entre as 55vagas, com 17.881 votos. Ela recebeu menos votos absolutos do que nomes como oatual vereador Paulo Reis (PT) e o mandato coletivo de mulheres sem teto doPSOL, mas foi eleita puxada pelo coeficiente eleitoral.

Entre os 10 mais votados estreará Erika Hilton (PSOL),mais votada entre todas as mulheres candidatas e a primeira mulher trans enegra a ocupar o posto. Erika foi a sexta mais votada entre todos osvereadores, seguida da professora Silvia Ferraro (PSOL), parte da mandatocoletivo que tem a bandeira feminista como a principal. O mandato coletivoQuilombo Periférico também foi eleito pela legenda. O PSOL trará a bancada maisdiversa ao legislativo, com quatro mulheres e três negros.

O PL elegeu também Thammy Miranda, com 43 mil votos. ComHilton e Miranda, o legislativo paulistano terá pela primeira vez doisvereadores transgênero.

Os tucanos compuseram a maior bancada da Câmara paulistanaapós as eleições de 2016, com 12 vereadores eleitos, seguidos pelos petistas,com 9. A legislação que termina agora,com maioria do PSDB, apoiou a gestão de Bruno Covas (PSDB) mas, se reeleito, oprefeito pode esperar um novo mandato com maior dificuldade de articulação coma Câmara.

PT, PSOL e PSB, juntos terão 14 dos 55 mandatos. As maioresbancadas incluem ainda DEM (com seis vereadores eleitos) e Republicanos (comquatro).

Pela segunda eleição seguida, Eduardo Suplicy (PT) foi overeador mais votado na cidade, com 167 mil votos (3,28 % do total). Um dosfundadores do PT, é um dos maiores defensores do projeto de renda mínima cidadãe foi senador por 24 anos.

Em seguida vieram Milton Leite (DEM), com 132 mil votos, eDelegado Palumbo (MDB), com 118 mil. Leite foi eleito para o sexto mandato e éum dos mais antigos na Câmara. Aliado de Bruno Covas, já foi presidente da Câmara.

Palumbo, por sua vez, atua há cerca de uma década no GrupoArmado de Repressão a Roubos (Garra) da Polícia Civil e teve a candidaturaalavancada por sua participação num reality show sobre o dia-dia dos policiaisda cidade, exibido na TV aberta. Será seu primeiro mandato.

Também novato na política e policial civil, o influencer FelipeBecari foi o quarto mais votado, com 98 mil votos. Ele tem mais de 1 milhão deseguidores em redes sociais como o Instagram, onde denuncia maus tratos àanimais e promove resgates e adoções.

Quem vai e quem fica

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do siteda Câmara, 50 dos atuais 55 vereadores tentaram a reeleição, entre elesFernando Holiday (Patriota), o quinto mais votado na cidade, com 67 mil votos,e o atual presidente da Câmara Eduardo Tuma (PSDB), que recebeu em torno de 40mil votos.

Holiday, antes único representante do Patriota, agoradividirá a bancada com Marlon do Uber e Rubinho Nunes. Todos são ligados aoMovimento Brasil Livre (MBL), do qual Holiday é coordenador nacional. Ele foi oprimeiro gay a se tornar vereador na cidade, em 2016.

Não disputaram em busca de um novo mandato os atuaisvereadores Celso Jatene (PL), Claudinho de Souza (PSDB), Patricia Bezerra(PSDB), e Gilberto Natalini (sempartido, antes no PV), além de Ricardo Nunes (MDB), que concorre comovice-prefeito de Bruno Covas (PSDB).

Eleições:Veja o resultado em todo o país

Nomes como Mario Covas Neto (PSDB), Reis (PT), Caio Miranda(DEM), Quito Formiga (PSDB), Police Neto (PSD) e Toninho Paiva (PL), atuaisvereadores, foram rebaixados para suplentes. Soninha Francine (Cidadania),ex-secretária de Doria, não foi reeleita e deixa a Casa.

Dois irmão do candidato petista Jilmar Tatto — Jair e Arselino Tatto — disputaram a eleição, também pelo PT, naCâmara desde 1989, foi reeleito com25.021 mil votos e iniciará o nono mandato em janeiro. Jair recebeu 29.918votos e também foi reeleito.

Os Tatto concentram votos na região sul e sudoeste dacidade, seus redutos eleitorais. A família Tatto também inclui o deputadoestadual Ênio e o federal Nilto, ambos eleitos em 2018.

Na cidade, 2.002 candidatos se inscreveram para as 55 vagasna Câmara — foram, em média, 36 postulantes por vaga.