A esquerda e a direita que ainda não entenderam o ódio que está nos matando

Ódio crescente: Militante petista foi morto por bolsonarista no último final de semana, em Foz do Iguaçu (PR)
Ódio crescente: Militante petista foi morto por bolsonarista no último final de semana, em Foz do Iguaçu (PR)

Uma pessoa foi morta no fim de semana por motivação política. A partir daí deveríamos recuar. Uma linha muito séria foi ultrapassada. Mas como recuar se nossos principais líderes seguem estimulando o ódio?

Lula, no sábado, em Diadema, agradeceu ao ex-vereador Maninho do PT, que empurrou um empresário contra um caminhão que passava na rua em 2018. Se isso não se chama incitação à violência me expliquem o outro nome.

Bolsonaro, depois da morte ocorrida no sábado, não conseguiu expressar empatia pela vítima e sua família, e relembrou que quem privilegia o ódio que siga a esquerda. Meu Deus! Os dois têm compromisso moral em dizer com todas as letras: “não matem em meu nome, não agridam em meu nome”.

O poder não se mantém por muito tempo pelo domínio brutal. Ele se realiza pela produção do simbólico, pela manipulação de símbolos. A sociedade está marcada por uma crescente e constante insegurança e desordem e pede por atitudes repressivas diante da ineficiência em se combater o caos.

Quando um presidente baseia toda sua eleição em gestos de fazer “arma com as mãos”, agressões às minorias e deboches, ele institucionaliza esse tipo de atitude por parte daqueles que o seguem. O não dito é tão importante quanto o dito e o poder simbólico é exercido com a cumplicidade daqueles que acreditam no líder e que levam isso adiante. Então, sim, o presidente incita a violência desde o primeiro dia de seu mandato. A linguagem pode nos ferir. De todas as formas. Quando se verbaliza explicitamente e quando se faz por gestos. Quando você incita o ódio ao outro você faz com que essa pessoa perca o contexto. Bolsonaro ter ligado para a família da vítima para solicitar participação em uma live e desmentir a esquerda que tenta politizar o assunto é tão absurdo quanto fazer arma com as mãos. O verbal e o gestual agridem da mesma forma. É provocar uma instabilidade ainda maior num cenário que não tem como piorar. Já morremos. Matamos. E ninguém entendeu a gravidade. Seguimos nos agredindo em redes sociais.

Toda generalização é burra. Quando você vai na rede social de outra pessoa xingá-la por causa de uma preferência na hora do voto você está colocando uma etiqueta de que ela corrobora com tudo. Existem pessoas perplexas com isso e infelizmente são a minoria. Se elas não têm voz para mudar esse cenário que os líderes tenham. Que sejam os adultos na sala. Odeio, logo vou em sua rede social lhe xingar. “Ah, mas Bolsonaro incitou a violência nesses quatro anos. Todos que votaram nele são psicopatas”. “E os esquerdistas que chutaram a pessoa depois de caída?”. A cadeia de símbolos que se constrói em torno disso pressupõe que toda pessoa que vota em Bolsonaro adere à violência e que todo esquerdista reage com violência.

Parem. Só parem. No momento em que começamos a incitar atos violentos, generalizar e ver o outro como inimigo a ser aniquilado a ideia do conflito se instaura no imaginário coletivo. E, como, felizmente, a academia consegue explicar muita coisa, Schumpeter dizia que as massas são suscetíveis ao comportamento dos líderes. Estudos mostram ainda que um ambiente de agitação política como o que estamos vivendo é um fator determinando para que ocorram genocídios, mortes e assassinatos. Um dos principais motivos para que mais mortes ocorram é justamente a ideologia da exclusão, ou seja, aqueles que promovem ideias de restrição ou perseguição. Entenderam?

Está mais do que na hora de Lula e Bolsonaro recuarem e darem o exemplo. Porque nem a esquerda nem a direita entendeu que esse ódio só começou a nos matar. Que os adultos na sala assumam a liderança que lhes é implorada. E, parem com a perseguição.

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