Esquerda e centro direita se unem nas críticas contra ofensa de Bolsonaro à Dilma

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As ofensas do presidente Jair Bolsonaro à ex-presidente Dilma Rousseff geraram o alinhamento de perfis relacionados à extrema esquerda com os de centro direita nas críticas à fala do presidente, nas redes sociais. Foram 136 mil menções nos dias 28 e 29 de dezembro, segundo levantamento da Arquimedes, consultoria de politica em redes sociais. Entre os comentários, 81,5% foram de solidariedade à petista. Apenas 18,5% menções apoiavam o presidente ou atacavam Dilma.

De acordo com o levantamento, as críticas a Bolsonaro uniram perfis políticos bem diferentes - dos deputados federais Marcelo Freixo (PSOL-RJ) a Baleia Rossi (MDB-SP) -, no mesmo momento em que parlamentares tentam formar uma frente ampla contra Arthur Lira (PP- AL), candidato à presidência da Câmara apoiado por Bolsonaro. O presidente da Câmara é o responsável por colocar em votação os projetos dos deputados e os enviados pelo Palácio do Planalto. A eleição para escolher o novo líder da Casa acontece em fevereiro.

- Políticos que apoiaram o impeachment foram às redes prestar solidariedade à Dilma, mesmo ressaltando as divergências políticas entre eles - observa Pedro Bruzzi, sócio da Arquimedes.

Segundo Bruzzi, esse alinhamento da esquerda com o centro acontece também quando Bolsonaro faz declarações antidemocráticas e afirmações negacionistas sobre a pandemia do coronavírus e o meio ambiente.

Já os apoiadores do presidente - que fazem parte da ala ideológica de extrema direita segundo o levantamento - ignoraram a gravidade da tortura durante a ditadura militar e focaram em ataques a Dilma.

- Nas redes, eles focaram em ataques à ex-presidente a chamando de terrorista, como se houvesse alguma justificativa para a tortura - ressalta Bruzzi.

Em conversas com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada, na segunda-feira, Bolsonaro ironizou a tortura sofrida pela petista durante o período em que ela foi presa na década de 1970, durante a ditadura militar e chegou a cobrar que lhe apresentassem um raio x da petista para provar uma fratura na
mandíbula.

— Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio x para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio x — afirmou Bolsonaro.

Em nota à imprensa, Dilma respondeu que o presidente “não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos” e “revela a índole própria de um
torturador”. Na década de 1970, Dilma ficou presa por três anos em razão de sua atuação contra a ditadura.

“É triste, mas o ocupante do Palácio do Planalto se comporta como um fascista. E, no poder, tem agido exatamente como um fascista. Ele revela, com a
torpeza do deboche e as gargalhadas de escárnio, a índole própria de um torturador. Ao desrespeitar quem foi torturado quando estava sob a custódia do Estado, escolhe ser cúmplice da tortura e da morte”, escreveu a ex-presidente, na nota.