“Essa caminhada autoritária tem que ser interrompida”, diz Alessandro Vieira sobre Bolsonaro

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  • Em entrevista ao Yahoo! Notícias, senador Alessandro Vieira fala sobre os trabalhos da CPI, ameaças de Bolsonaro e eleições 2022

  • “Essa caminhada autoritária tem que ser interrompida”, diz o senador

  • Segundo ele, CPI já comprovou participação de Bolsonaro na omissão da condução da pandemia

Para o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), a “caminhada autoritária” do presidente Jair Bolsonaro precisa ser interrompida. Mas, para isso, ele destacou que “as instituições precisam funcionar”.

“Quando um cidadão comete um crime, ele automaticamente é responsabilizado, é denunciado, é processado. É o que falta acontecer a Bolsonaro. Bolsonaro vem diariamente atacando a democracia, atacando instituições, ofendendo e ameaçando pessoas. Essa caminhada autoritária tem que ser interrompida, e ela só vai ser interrompida pela atuação efetiva das instituições”, afirma o parlamentar em entrevista ao Yahoo! Notícias.

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Nesse sentido, Vieira criticou a omissão do procurador-geral da República, Augusto Aras, indicado pelo presidente ao cargo, e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), responsável pela abertura do processo de impeachment.

“A gente vê um excesso de cautela ou uma certa cumplicidade por parte de pessoas que são figuras estratégicas. Eu tenho Augusto Aras, que é o procurador-geral da República, que é seguramente o pior da história. Ele não cumpre minimamente os requisitos da cadeira que ocupa. Eu tenho um presidente da Câmara dos Deputados, também uma figura essencial nesse processo, que está mais preocupado com a ocupação de cargos e verbas federais do que com a defesa da democracia”.

No final de julho, Alessandro Vieira ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma interpelação judicial para que Bolsonaro apresente provas documentais das inúmeras alegações de fraudes nas últimas eleições.

“Nosso papel é cobrar. O desdobramento da interpelação é certamente um processo criminal, é para tentar colocar limites”, apontou.

Senador Alessandro Vieira, em entrevista ao Yahoo!
Senador Alessandro Vieira, em entrevista ao Yahoo!

Eleições em 2022 e combate à corrupção

A formação de uma ‘terceira via’ na eleição presidencial de 2022, como alternativa a Bolsonaro e ao ex-presidente Lula (PT), é necessária, na avaliação de Alessandro Vieira.

“Eu tenho a convicção de que ela não virá de uma junção dos partidos. Brasil não tem esse histórico. Nós teremos seguramente vários candidatos nas urnas, o que atrapalha, mas o mais importante para mim é garantir que tenha uma alternativa que efetivamente represente o sentimento daqueles que não aceitam voltar ao PT ou continuar com Bolsonaro”.

Sobre a possibilidade de ser candidato à Presidência, o senador disse que “ninguém se lança candidato”, que o nome deve ser uma construção que venha da sociedade”. Mas afirmou que sua bandeira, de combate à corrupção, deve estar em qualquer debate eleitoral.

“No Brasil, passou-se a ignorar o debate sobre a corrupção nas organizações do Estado. Como se tudo o que aconteceu tivesse desaparecido da memória. Isso tem que estar na mesa. Esse método de governo, com atuação do Centrão, com a ocupação predatória do governo, isso vai ter que mudar. O Brasil deve ser o único lugar no mundo em que muda o partido, muda o presidente, opostos ideológicos completamente, e o líder do governo continua o mesmo”.

CPI mostra governo "sem coordenação" e participação de Bolsonaro

Integrante da CPI da Covid no Senado como suplente, Alessandro Vieira avaliou que a comissão tem revelado “um governo absolutamente sem coordenação” no combate à pandemia causada pelo coronavírus.

“É um quebra-cabeça que mostra um governo absolutamente sem coordenação, retalhado entre grupos que querem uma vantagem financeira, querem uma vantagem imediata. Tudo muito lamentável”, afirmou o parlamentar.

Senador Alessandro Vieira, na CPI da Covid no Senado (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)
Senador Alessandro Vieira, na CPI da Covid no Senado (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

Segundo ele, a participação do presidente Jair Bolsonaro na omissão do governo federal no combate à pandemia.

“A gente tem provas suficientes da atuação de Jair Bolsonaro como o coordenador central das decisões do governo federal. É ele que decide, por exemplo, não comprar as vacinas do Butantan. É ele que decide boicotar iniciativas de distanciamento social, do uso de máscaras, enfim, os cuidados básicos. É ele que escolhe ter um assessoramento paralelo, contrário ao próprio Ministério da Saúde. Isso tudo é responsabilidade do Bolsonaro”.

Com base nas denúncias envolvendo a compra da vacina Covaxin, senadores, entre eles, Vieira, pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que denuncie o presidente Jair Bolsonaro pelo crime de prevaricação. O documento indica também o eventual crime de responsabilidade, "que poderia ser apurado em eventual processo de impeachment".

“No caso do Luis Miranda, particularmente, ele passa a ter uma hipótese de prevaricação. Ele teve conhecimento, foi informado de um suposto cometimento de crime, ele não tomou providências. Isso é grave", alertou o senador, na entrevista ao Yahoo! Notícias.

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