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"Não pode ser relativizada. Não pode ser tida como algo normal", diz Tebet sobre conduta machista na CPI

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  • Senadora Simone Tebet faz uma avaliação das atitudes machistas de parlamentares e diz que "há todo tipo de discriminação, de agressões verbais"

  • Tebet falou com exclusividade ao Yahoo! e cobrou o que chamou de "bom trato" dos colegas

  • Durante a entrevista, a senadora também comentou sobre a organização da bancada feminina para garantir participação na comissão

Entre revelações e denúncias sobre o enfrentamento à pandemia de Covid-19 no país, a CPI do Senado tem motivado, desde o momento de sua formação, o debate sobre o machismo. Este foi um dos assuntos abordados em entrevista exclusiva do Yahoo! com a senadora Simone Tebet (MDB-MS), que tem tido papel importante em momentos decisivos das reuniões. 

Veja íntegra da entrevista amanhã.

Ao ser questionada sobre o episódio com o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), durante o depoimento da diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, a senadora foi enfática em dizer que "não é só ele". Na avaliação da parlamentar, "há todo tipo de discriminação, de agressões verbais e, às vezes, psicológicas".

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Durante a reunião de quarta-feira (14), Tebet foi interrompida por Flávio Bolsonaro enquanto fazia seus questionamentos à depoente. Ela pediu que o parlamentar a deixasse terminar de falar. A discussão continuou e, quando todos os microfones dos senadores estavam fechados, a senadora disse que o filho do presidente Jair Bolsonaro a havia ofendido. "No microfone ele não tem coragem de dizer o que ele disse pra mim agora", ressaltou.

Simone Tebet não revelou o que foi dito por Flávio Bolsonaro, mas fez cobranças sobre as atitudes de parlamentares que tentam calar e atrapalhar o trabalho das senadoras que fazem parte da CPI. "Esse é o tipo de conduta que não poder relativizada, não pode ser tida como algo normal. A urbanidade e o bom trato têm que fazer parte da sociedade brasileira", completou.

As mulheres na CPI

A bancada feminina do Senado precisou se organizar para garantir participação na CPI porque, quando a comissão foi formada, os partidos não indicaram nenhuma mulher para a composição. As senadoras, portanto, cobraram o direito de participação e têm tido papel fundamental nas reuniões.

Foi após a intervenção de Tebet, por exemplo, que o deputado federal Luis Miranda revelou em seu depoimento o nome do líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros. O deputado disse que quando contou ao presidente Jair Bolsonaro sobre a suspeita de superfaturamento na compra da vacina indiana Covaxin, ele teria dito que "isso é coisa de fulano". O nome de Barros só foi dito depois de cerca de seis horas de depoimento.

Sobre o machismo sofrido pelas senadoras, Tebet defendeu que é preciso "saber tratar dentro da urgência e da gravidade do tema sem também se vitimizar". "A bancada feminina não é vítima. Se algo mais grave acontecer, obviamente nós estaremos indo a público e utilizando os instrumentos legais não para nos proteger, mas para expor e proteger, com isso, a mulher brasileira", ressaltou.

Ela destacou ainda o Projeto de Resolução apresentado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania - MA) para garantir que as mulheres terão, pelo menos, uma cadeira nas comissões do Senado. A proposta só precisa de aval do plenário da Casa e não precisa ser sancionada pelo presidente da República. A expectativa é a de que seja votado até setembro.

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