Estátua de Chopin na Urca é tema de filme da 1ª Mostra de Cinema Polonês

Natália Boere
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August Zamoyski e o Monumento a Chopin na Praia Vermelha.jpg

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RIO — Era 1º de setembro de 1939 quando tropas da Alemanha nazista invadiram a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Assim que a notícia chegou ao Brasil, a comunidade polonesa que vivia no Rio resolveu fazer um abaixo-assinado para angariar fundos e erguer um monumento ao compositor polonês Frédéric Chopin: os alemães tinham destruído a estátua que existia em Varsóvia, a capital polonesa.

O monumento a Chopin foi encomendado ao escultor polonês August Zamoyski, de família aristocrática, que, na época, morava em solo carioca e era professor na Escola Nacional de Belas Artes. A história de Zamoyski e do legado que ele deixou à cidade é contada no documentário “Guczo”, que será exibido quinta e sexta-feira na 1ª Mostra de Cinema Polonês On-Line, que acontece até o próximo dia 18 com extensa programação. Os longas estão disponíveis gratuitamente no site mostradecinemapolones.com.br.

— A estátua foi inaugurada em 1º de setembro de 1944 na Praia Vermelha, na Urca, e transferida em 1950 para a frente do Theatro Municipal. Mas com a chegada da estátua do compositor brasileiro Carlos Gomes (em 1959), retornou a seu local de origem, onde está até hoje — conta Arthur Trojan, presidente da Polonia Sociedade Beneficente do Rio de Janeiro.

O monumento, todo de bronze, tem 2,5 metros de altura e pedestal de granito com um metro de altura, onde se lê que Chopin nasceu em 1810, em Zelazowa Wola, e morreu em Paris em 1849 (vítima de tuberculose). Filha de poloneses e moradora da Urca há 40 anos, a socióloga Anna Maria Dzieciolowski Robalinho diz que a obra faz jus ao compositor.

— A estátua o retrata pensativo, com a cabeça apoiada na mão. Chopin era muito sério, introspectivo e sonhador — afirma a socióloga.

Para ela, a Praia Vermelha é mesmo o lugar mais adequado à homenagem a Chopin.

— Sempre falamos que ele está com saudades da Polônia, olhando para o mar, através do qual ele poderia voltar à sua terra natal. Ele se fixou na França, mas nutria muito amor pelo seu país de origem, tanto que levou um punhado de terra de lá quando o deixou — relata Anna, acrescentando que, sempre que recebe visitas, vai à Praia Vermelha tirar fotos do Pão de Açúcar e conta a história da estátua. — As pessoas gostam muito.

Ela lembra que foi ao som da “Polonaise“, de Chopin, que entrou na capela da Reitoria da UFRJ, na Urca, para se casar com o marido, o engenheiro pernambucano Frederico Robalinho, há 48 anos:

— A música de Chopin toca profundamente o coração, foi um momento muito emocionante.

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