Estúdios Globo abrem as portas para homenagear os 125 anos da ABL

A casa da literatura encontrou a casa da teledramaturgia. Em comemoração aos 125 anos da Academia Brasileira de Letras (ABL), que serão celebrados nesta terça, dia 19, o Grupo Globo promoveu ontem uma série de atividades reunindo acadêmicos e grandes nomes da teledramaturgia do país nos Estúdios Globo. O evento “Do folhetim à novela” teve mesas redondas e leituras de grandes obras da literatura nacional, além de um pocket show de Teresa Cristina.

— Nesses anos todos, a ABL vem ampliando o seu alcance, e iniciativas como essa do Grupo Globo são essenciais neste sentido — afirmou Merval Pereira, presidente da ABL e colunista do GLOBO. — A teledramaturgia é fundamental para ajudar a promover obras da literatura e estimular a leitura.

O presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, destacou em seu discurso que “a Academia Brasileira de Letras é a casa da literatura brasileira”:

— Mas, acima de tudo, de nossa língua, tão bela e tão falada por todos nós em nosso país de dimensões continentais. Na origem do Grupo Globo, o jornalismo deu à ABL nomes como meu pai, Roberto Marinho, um apaixonado pela atividade que lhe abriu as portas da comunicação social, levando do jornal para o rádio, do rádio para a televisão e da televisão para os primeiros passos da área digital.

Nos bastidores

Antes do evento, acadêmicos como Rosiska Darcy, Zuenir Ventura, Nélida Pinon, Geraldo Carneiro, Antonio Torres e Merval, entre outros, visitaram os estúdios. Uma das etapas do tour foi o cenário onde são gravadas cenas da novela “Pantanal”.

— Primeiro, é muito impressionante a dimensão de tudo, de como é bonito. Quando vemos na televisão, não temos ideia da complexidade que envolve essa alternância entre ambientes — disse o economista Edmar Bacha, que ocupa a cadeira 40.

À tarde, um vídeo curto narrado pela atriz e acadêmica Fernanda Montenegro apresentou cenas de novelas marcantes como “Gabriela, cravo e canela”, “Tieta” e “O Bem Amado”, entre outras. A voz da atriz fez a ponte entre o mundo dos livros e a telinha: “Eu sou a página, o palco e a tela. Eu sou patrimônio, sou memória, sou emoção, sou o Brasil, todos os brasis.”

Os acadêmicos também assistiram aos atores Tony Ramos e Lilia Cabral fazendo leituras de textos de imortais da ABL. O ator foi ovacionado ao ler um trecho de “Grande Sertão: Veredas”, obra de Guimarães Rosa que foi adaptada pela Globo em 1985. Ele havia encarnado o personagem Riobaldo na produção.

Tony contou que a responsabilidade de ler Guimarães Rosa foi redobrada com a presença de membros da ABL.

— A importância desse evento fala por si só — disse. — Nesses 125 anos, a entidade trabalhou na preservação da criatividade, da liberdade e da gente brasileira. Tenho muito orgulho de que grandes obras brasileiras tenham viajado o mundo com adaptações das quais participei.

Pluralidade

Na sequência, houve a mesa-redonda “O caminho da literatura à dramaturgia”, mediada pela jornalista Aline Midlej, com participação de Geraldo Carneiro, acadêmico da cadeira 24, de Lilia Cabral, de Tony Ramos e de Mauro Alencar, especialista em teledramaturgia da Universidade de São Paulo (USP).

Lilia também fez uma leitura dramática de “Memorial de Maria Moura”, obra de Rachel de Queiroz, a primeira mulher a entrar na academia, e que, em 1994, ganhou uma minissérie na TV Globo.

— Produtoras de outros países me falaram que esse tipo de expediente de apuração sistemática de grandes obras literárias, como acontece aqui, é único — afirmou Mauro Alencar. — É uma tradição que começa na TV Tupi e que segue na Globo. Você não vê lá fora emissoras adaptando Gabriel García Márquez, mas nós adaptamos Jorge Amado. Essa riqueza e pluralidade são fabulosas porque descobrimos as grandes obras de forma lúdica e com emoção. E quando as novelas chegam em outros países, os romances chegam junto. A China não conhecia o Brasil até chegar “Escrava Isaura”.

Para a acadêmica Nélida Piñon, ocupante da cadeira 30 da ABL, “é extraordinária a capacidade que uma obra tem de se replicar”:

— Quando vemos a Gabriela da novela não é mais a Gabriela, é uma outra personagem reproduzida ao longo das décadas. Quando um livro vira uma novela, ganha uma identidade que é atribuída pelo povo.

Geraldo Carneiro também comentou sobre o papel da arte na sociedade:

—O papel da ABL é proteger a língua e a literatura. A arte é fundamental porque é ela que fornece janelas para que se descubra o futuro.

Clássicos

A cantora Teresa Cristina e o violonista Carlinhos 7 Cordas comandaram a parte musical da homenagem à ABL, repleta de clássicos de trilhas sonoras de novelas, como “Amarro o teu arado a uma estrela”, do músico Gilberto Gil (cadeira 20), e “Os sábios costumam mentir”, do poeta Antonio Cicero (cadeira 27).

O acadêmico Antônio Torres (cadeira 23) lembrou que, pelo contexto atual da cultura brasileira, a homenagem feita pelo Grupo Globo tem uma importância ainda maior.

— Num momento em que a nossa Cultura anda tão menosprezada, esse evento se reveste da maior significação.

Nélida acrescentou:

— Fomos recebidos com muita cortesia e generosidade. Foi uma bela celebração dos 125 anos de uma casa pela qual sou apaixonada.

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