Estação hidroviária projetada por Oscar Niemeyer sofre por abandono em Niterói

Gustavo Goulart
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Ana Branco / Agência O Globo
Ana Branco / Agência O Globo

RIO — Uma das obras projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer em Niterói sofre com o abandono. Fechada desde março por causa da pandemia do coronavírus, a estação hidroviária de Charitas, de onde partiam os catamarãs em direção ao Rio, já está com a passarela corroída em várias partes. A estrutura foi coberta por remendos para evitar a entrada de água das chuvas. A situação ainda corre o risco de se agravar: o local poderá ser fechado em definitivo pela concessionária CCR Barcas, como informou Ana Cláudia Guimarães em sua coluna no Globo-Niterói. Atualmente, a única parte aberta é onde funciona o restaurante Olimpo, na parte superior da construção.

Conselheiro do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) e professor da Universidade Federal Fluminense, o arquiteto Pedro da Luz lamenta o abandono e diz que toda obra sem manutenção tende a se tornar uma ruína:

— O maior arquiteto da história do Brasil, que é festejado internacionalmente em função de seu trabalho, que atrai turistas de todo o mundo, não merece isso. A Estação Charitas demonstra de forma exemplar a capacidade de Niemeyer de inserir obras num lugar pontuado por ícones geológicos, como a Baía de Guanabara, de forma elegante e adequada.

A prefeitura de Niterói lembrou que a Estação de Charitas não faz parte do Caminho Niemeyer, circuito de obras do arquiteto na cidade, apesar de ter sido projetada por ele. Mas informou que, caso seja notificada pela CCR Barcas sobre o fechamento do espaço, irá tomar medidas para sua manutenção.

Em nota, a CCR Barcas negou a intenção de fechar definitivamente a estação e alegou que o espaço deixou de funcionar atendendo a uma ordem do estado. “A suspensão do funcionamento da linha Charitas foi determinada por decreto em março de 2020, que instituiu ações para o controle e o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Atualmente, o sistema de transporte aquaviário do Rio de Janeiro trabalha apenas com 30% da demanda em comparação ao número de usuários registrados antes da pandemia da Covid-19”, diz um trecho.