Estações sísmicas subaquáticas instaladas nos Açores

Em Portugal, o estudo dos sismos passa a ser feito também debaixo de água. Ao largo da ilha de São Jorge, nos Açores, foram instaladas seis estações sísmicas subaquáticas. Estes equipamentos serão um complemento às estações utilizadas em terra.

Este projeto foi ideia do cientista português Ricardo Ramalho e da sua equipa, que desenvolvem estudos no Reino Unido.

A equipa de cientistas candidatou a ideia ao organismo governamental do país, que apoia projetos na área das ciências naturais. O desenvolvimento desta iniciativa foi, depois, feita em conjunto com o Centro de Investigação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA).

Ricardo Ramalho explicou a importância do projeto e salientou que num arquipélago como os Açores, em que as estações em terra estão "muito limitadas pela geografia das ilhas", a instalação deste tipo de equipamento no fundo do mar permite "aumentar muito mais a cobertura azimutal da rede".

Para além disso, ajuda a caraterizar de "forma mais completa as fontes sísmicas, muito para além do que a rede em terra é capaz de fazer", acrescentou.

As estações, transportadas numa Corveta da Marinha Portuguesa, foram colocadas numa das zonas mais sísmicas do país e só emitirão os primeiros dados daqui a quatro meses.

Rui Marques, Presidente do CIVISA, explicou como vão funcionar estes equipamentos. "São seis estações sísmicas submarinas. Vão ter um registo local, ou seja, a estação fica no fundo oceânico a trabalhar e a registar dados e daqui a quatro meses elas voltam à superfície e são recolhidas", salientou, referindo que só nessa altura é que os primeiros dados passarão a ser analisados.

Em março passado, a ilha de São Jorge enfrentou uma das piores crises sísmicas de sempre. Na altura, várias pessoas tiveram de abandonar as suas casas.