Esta espécie sobreviveu à extinção em massa de 250 milhões de anos atrás

Paleontólogos descobriram um evento curioso entre os períodos Permiano e Triássico: é a improvável sobrevivência de uma espécie a uma extinção em massa, apenas para morrer alguns "poucos" milhões de anos depois. O clado inteiro, na verdade, pereceu uma era depois do que se imaginava: eram as górgonas, bestas que passaram com sucesso pela Grande Morte, de 251,9 milhões de anos atrás.

A subordem Gorgonopsia, cujas espécies foram as primeiras a terem dentes-de-sabre, eram predadores dominantes do Permiano, e acabaram representando um "clado morto-vivo", termo dos estudos de extinção que define organismos sobreviventes a grandes eventos de extinção, mas são tão afetados que não conseguem mais se recuperar.

As górgonas existiram antes dos dinossauros, sendo um clado à parte que sobreviveu, inesperadamente, à Grande Morte (Imagem: Mario Lanzas/CC-BY-4.0)
As górgonas existiram antes dos dinossauros, sendo um clado à parte que sobreviveu, inesperadamente, à Grande Morte (Imagem: Mario Lanzas/CC-BY-4.0)

Sobrevivendo à catástrofe

Clados mortos-vivos podem viver por até milhões de anos após eventos como o do Permiano-Triássico, mas não conseguem mais se diversificar novamente nem conseguir abundância significativa em seus ecossistemas, acabando praticamente mortos ao olhar macroevolucionário.

Apresentada em 3 de novembro na conferência anual da Sociedade de Paleontologia Vertebrada, a nova pesquisa analisou 3 espécimes de górgona encontrados na bacia de Karoo, na África do Sul. Os gorgonopsianos existiram antes mesmo dos dinossauros, de 240 a 240 milhões de anos atrás, recebendo o nome da criatura mitológica grega que petrificava com o olhar.

Um crânio parcial do clado, encontrado no mesmo local e datado do período Indiano, de 251,9 a 251,2 milhões de anos atrás, vinha sendo ignorado por alguns cientistas com a crença de que tinha sido mal identificado ou mal datado: a análise atual, no entanto, definiu que o espécime seria, de fato, do gênero Cyonosaurus, do clado Gorgonopsia, além de outros dois espécimes da mesma bacia.

Representação artística de um gorgonopsiano perseguindo dicnodontes na formação Usili, da Tanzânia (Imagem: Ezcurra et. al./PLOS One)
Representação artística de um gorgonopsiano perseguindo dicnodontes na formação Usili, da Tanzânia (Imagem: Ezcurra et. al./PLOS One)

Das 3 górgonas, 2 seriam da fronteira geológica do Permo-Triássico, e 1 da camada do início do Triássico. A sobrevivente provavelmente passou pela grande extinção graças ao seu tamanho, dieta flexível e abundância de espécimes. Mais ou menos do tamanho de uma raposa, o Cyonosaurus era carnívoro e tinha um focinho estreito, alongado e cheio de dentes, um dos menores gorgonopsianos que existiram.

Após a Grande Morte, ou extinção do Permiano-Triássico, a biodiversidade da bacia de Karoo diminuiu muito, mas permitiu que o Lystrosaurus, um herbívoro com presas do Permiano, se multiplicasse bastante: havia muitas presas para a alimentação das górgonas. Mais estudos serão feitos para confirmar o achado, mas ele já é considerado surpreendente, algo similar à ideia de que os Tyrannossaurus Rex teriam sobrevivido ao meteoro que extinguiu os dinossauros, há 66 milhões de anos.

Fonte: Canaltech

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