Esta quilonova continua emitindo raios X — mas não deveria

Danielle Cassita
·2 minuto de leitura

Em 2017, duas estrelas de nêutrons se fundiram e geraram uma quilonova, que proporcionou uma observação histórica para astrônomos e recebeu o nome de GW170817. Aquele período foi bastante agitado: pouco depois, o satélite orbital Fermi LAT testemunhou uma explosão imensa de raios gama na mesma região no céu. Entretanto, os astrônomos estão intrigados, porque depois de um longo tempo, essa região continua emitindo raios-X e isso não combina o que os modelos propunham.

Pela primeira vez, o mesmo evento foi observado tanto com a astronomia tradicional quanto gravitacional. Quando combinadas, as observações confirmaram as suspeitas de que, quando as estrelas de nêutrons se fundem, elas geram uma explosão. Além do brilho causado pela fusão, a força da explosão continuou gerando brilho por mais algum tempo e foi alimentada pela radiação liberada na fusão. O problema é que os modelos previam que esse brilho deveria desaparecer depois de no máximo 200 dias porque não teria mais nada alimentando as emissões e, mesmo assim, continuamos observando emissões de raios-X na região à volta da GW170817 após mil dias.

Os raios-X continuam sendo emitidos na região da quilonova (Imagem: Reprodução/E. Troja)
Os raios-X continuam sendo emitidos na região da quilonova (Imagem: Reprodução/E. Troja)

Eleonora Troja, principal autora do estudo que analisa essas emissões, explica que os cientistas estão entrando em uma nova etapa no entendimento das estrelas de nêutrons. “Nós realmente não sabemos o que esperar daqui em diante, porque nenhum modelo previa raios-X e estamos surpresos de vê-los ocorrendo mil dias depois da colisão”, diz. Ela ressalta que podem levar anos até que cheguem a uma resposta sobre o que está acontecendo, e a pesquisa dá abertura para algumas possibilidades.

Como a quilonova ocorreu há bastante tempo, ainda deve ter algo fornecendo energia. Os raios-X podem representar também uma característica totalmente nova após a colisão das estrelas. Pode ser também que a nuvem de gás se expandindo por trás da emissão inicial de radiação criou uma onda de choque própria, que demorou mais para nos alcançar — e, claro, existe também a possibilidade de se tratar de algo completamente diferente de tudo isso. Mesmo assim, seja lá qual for a resposta para o fenômeno, é certo que essas novas observações estão fazendo com que os astrônomos atualizem os modelos já existentes sobre as quilonovas e como elas funcionam.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fonte: Canaltech

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