Estabelecimentos não essenciais driblam fiscalização e mantêm portas abertas em vários bairros do Rio

Rafael Nascimento de Souza

RIO - Mesmo com o decreto municipal que regulamenta o fechamento de estabelecimentos não essenciais durante a pandemia do novo coronavírus no Rio, muitos comerciantes estão desobedecendo a regra e burlam a lei e a fiscalização deixando seus comércios a meia porta. Numa rápida passada em bairros como Lapa e Bairro de Fátima, no Centro; Copacabana e Botafogo, na Zona Sul; e Madureira, na Zona Norte; é possível observar, entre outros, depósitos de bebidas e lojas de peças de carros abertas. Para a Prefeitura, o comportamento pode provocar aglomeração.

Desde 18 de março, a Secretaria de Ordem Pública (Seop), em ações conjuntas com outros órgãos, já esteve em 7.458 estabelecimentos. Desse montante, 4.918 foram fechados. Na sua grande maioria, os comércios fechados eram bares instalados na Zona Oeste do Rio.

No entanto, nos últimos dias o que vem chamando a atenção das autoridades municipais são as longas filas nas unidades da Caixa Econômica Federal. Muita gente tem recorrido às agências em busca do benefício de R$ 600 oferecido pela União. Nas últimas duas semanas, todos os 151 bairros do Rio – durante o horário bancário – registraram aglomerações em frente a imóveis onde ficam unidades da Caixa.

A preocupação da Prefeitura também é em relação a grandes redes de mercado. É que, agora, clientes precisam encarar filas enormes antes de entrarem nessas grandes redes de varejo. É o que acontece em frente a um mercado na Rua Riachuelo, na Lapa. Por vezes é possível observar clientes encarando longas filas de espera.

O GLOBO percorreu por alguns bairros do Rio na manhã desta quinta-feira. Na Lapa e no Bairro de Fátima foi possível notar diversos comércios não essenciais abertos. Numa galeria que fica na Rua Riachuelo, a todo o momento é possível observar uma fila para entrar no espaço. Na noite da última terça-feira, equipes da Guarda Municipal e do Lapa Presente chegaram a ir no centro comercial e fechar o espaço. No entanto, horas depois, a galeria já estava reaberta.

No Bairro de Fátima, a grande maioria dos bares estava funcionando. Para despistar a fiscalização, deixam a porta aberta pela metade.

Na Tijuca, na Zona Norte, foi possível observar filas intermináveis em agências da Caixa Econômica Federal. Já na Lagoa, na Zona Sul, muitos vendedores de quentinhas retomaram as vendas em carros.

Já em Copacabana, pelo menos dois restaurantes serviam alimentos no interior dos estabelecimentos. Prática proibida pela prefeitura enquanto durar a pandemia. De acordo com a determinação, restaurantes só podem vender alimentos, mas os clientes não podem consumi-lo no interior da loja.

Em Botafogo, na Rua General Polidoro - reduto de muitas lojas de alto peças - é possível observar que muitas estão com as portas meio abertas. Clientes que chegam ao local conseguem ser atendidos.

Em Madureira, quase 30 quilômetros de Botafogo, a situação é a mesma. Na Avenida Ministro Edgard Romero e na Rua Conselheiro Galvão, vias que cortam o Mercadão de Madureira, a situação é a mesma. É possíveil encontrar aberto dezenas de lojas de artigos religiosos, depósitos de material de construção e muitos camêlos pelas calçadas.

Segundo a Secretaria municipal de Fazenda, até o momento, 245 estabelecimentos foram multados e interditados por fiscais da Subsecretaria de Licenciamento e Fiscalização por descumprimento ao decreto. De acordo com a pasta, “o total de multas é reduzido, já que, inicialmente, os responsáveis são alertados sobre a necessidade de fechamento e apenas os que não cumprem a determinação são autuados”. Cada comerciante foi multado em R$ 891,59. A Prefeitura do Rio ainda não cassou nenhum alvará desses estabelecimentos.

Denúncias sobre aglomeração

Entre o dia 13 de março e esta quarta-feira, o Disque-Denúnica recebeu 5.703 denúncias relacionadas a Covid-19. Desse total, 2.339 informaram sobre aglomeração de pessoas, potencializando a propagação do vírus. Além disso, diversos outros tipos de eventos foram citados, como festas de rua, bailes funk, aniversários, cultos e funcionamento de empresas. No Disque-Denúncia, os bairros que encabeçam a lista de ligações são: Campo Grande (161), Centro (129), Barra da Tijuca (79), Bangu (70), Jacarepaguá (65), Santa Cruz (63), Tijuca (61), Madureira (56), Copacabana (55), Recreio dos Bandeirantes (54) e Realengo (52).

Já a Seop, entre os dias 31 de março e 28 de abril, recebeu pelo Disk Aglomeração 3.611 chamados. Os bairros mais demandados foram Campo Grande, Bangu, Realengo, Santa Cruz, Taquara, Centro, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes.