Estado de Chávez repete eleições em meio a acusações de vantagem

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Vista de um mural com a imagem do falecido Hugo Chávez em Barinas, Venezuela, em 7 de janeiro de 2022 (AFP/Federico Parra)
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O estado natal do ex-presidente Hugo Chávez, Barinas, vota para governador neste domingo (9), após uma decisão do tribunal que ordenou a repetição das eleições de novembro passado sem o principal candidato opositor, que liderava a contagem.

Em processo marcado por reclamações de vantagens para o partido no poder, Jorge Arreaza, ex-vice-presidente e ex-chanceler busca manter a hegemonia que o chavismo carrega desde 1998 nesta região agropecuária no oeste da Venezuela.

Seu principal adversário, Sergio Garrido tenta emular a vitória iminente da oposição em 21 de novembro no lugar do candidato original, Freddy Superlano.

Os eleitores começaram a chegar cedo aos centros de votação para participar desta votação, que teve início às 06h00 (09h no horário de Brasília) e deverá durar 12 horas, embora o período de votação possa ser estendido enquanto houver eleitores na fila.

No total, 607 mil dos 870 mil habitantes de Barinas são chamados às urnas em 543 centros de votação fortemente vigiados pela polícia e militares.

“Esta terra (...) me acolheu como um filho”, comemorou Arreaza, de 48 anos, após votar em Ciudad Tavacare, um conjunto popular de moradias, construído pelo governo socialista e repleto de murais alusivos a Chávez, de quem foi genro e é pai de seu primeiro neto.

“Vamos ter o mesmo resultado de 21, mas com muito mais força”, previu Garrido, de 54 anos, que surgiu como opção emergencial após a desclassificação de Superlano, sua esposa e outro possível candidato. “O nível de participação é muito maior”, frisou.

Garrido, sem dar mais detalhes, denunciou a prisão de dois ativistas partidários na cidade de Barrancas.

- "Vamos vencer!" -

O governo esteve por duas décadas nas mãos de parentes do próprio Chávez. A dinastia começou com seu pai, Hugo de los Reyes Chávez (1998-2008), e continuou com seus irmãos Adán (2008-2016) e Argenis (2017-2021), que aspirava à reeleição, mas renunciou depois que o Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), na linha pró-governo, ordenou a repetição das eleições quando o opositor Superlano reivindicou a vitória.

O tribunal alegou que Superlano - que somava 37,6% dos votos contra 37,21% de Argenis Chávez - foi desclassificado devido a investigações judiciais.

"Venho exercer meu voto para ver se o nosso governador permanece", disse à AFP Walter Fajardo Romero, um bombeiro e miliciano de 56 anos, militante de Chávez, que votou em Ciudad Tavacare.

O governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que venceu nas 19 competições regionais das 23 governadorias do país, além do prefeito de Caracas, desdobrou todas as suas forças para esta eleição, com a ajuda do governo do presidente Nicolás Maduro.

“Vamos vencer com o espírito imortal do comandante Chávez!”, escreveu o presidente em sua conta no Twitter.

Cartazes com o rosto de Arreaza dominam o cenário, enquanto ministros e funcionários do governo inauguraram obras públicas e entregaram moradias populares durante a campanha.

“Volta a esperança” foi o slogan de Arreaza nesta eleição, vendendo uma mensagem de mudança e renovação apesar da hegemonia chavista na região.

Há outros candidatos minoritários em jogo, como o ex-candidato presidencial Claudio Fermín.

Roberto Picón, um dos reitores do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a existência de vantagens para os governantes.

“Os mecanismos de fiscalização e penalização à disposição da CNE são insuficientes para controlar uma ação concertada do Estado, numa campanha eleitoral, como a que se evidenciou em Barinas”, disse Picón no Twitter.

Garrido denuncia "uso e abuso" de recursos públicos nesta instância.

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