Estado de Nova York sonha em ser o paraíso da cannabis legalizada

Daniel HOFFMAN
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Kaelan Castetter caminha por escritórios vazios ao lado de sua fábrica de produtos à base de canabidiol.

Em poucos meses, o enorme espaço de 3.000 metros quadrados será dedicado inteiramente à exploração da cannabis, cujo uso recreativo é legalizado no estado de Nova York desde o mês passado.

"Vamos construir um complexo ultramoderno de classe mundial para cultivar cannabis e estudar sua genética ao lado de nossa fábrica de produtos prontos", diz o chefe da Empire Standard, uma empresa aberta no ano passado na periferia de Binghamton, a três horas de carro de Nova York.

A empresa fabrica óleos, bálsamos, cosméticos, cigarros, chocolates e bebidas à base de canabidiol (CBD), substância não viciante da cannabis valorizada por suas propriedades relaxantes, e abastece varejistas da região.

No final de março, o governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, aprovou uma lei permitindo o porte e o uso recreativo de maconha por adultos com 21 anos ou mais e expandindo sua distribuição para fins medicinais.

Empresas como a Empire Standard poderão, assim, cultivar variedades de cannabis com alta concentração de tetrahidrocanabinol (THC), a molécula psicoativa da planta.

- Oportunidade -

Na linha de produção da fábrica de Binghamton, funcionários com jalecos montam pequenas caixas de plástico contendo flores de CBD sob a supervisão de Jim Castetter, pai de Kaelan.

Aos 55 anos, este pioneiro no setor é hoje o chefe comercial da Empire Standard após múltiplas aventuras empreendedoras na indústria de cannabis de Nova York. Ele vê a legalização como uma oportunidade histórica.

"Estávamos no lugar certo na hora certa com paixão, ambição e conhecimento suficientes para capitalizarmos isso."

Kaelan Castetter está convencido de que o estado de Nova York se tornará um centro global de venda do produto, assim como a Califórnia.

“Não poderia haver melhor momento para Nova York legalizar a cannabis com 30.000 a 50.000 empregos em jogo e bilhões de dólares injetados na economia”, se entusiasma, mas admite que sua atividade desacelerou durante a pandemia.

Este empresário de 24 anos planeja aumentar sua força de trabalho de 15 para mais de 100.

- Um longo caminho -

No entanto, os benefícios econômicos da legalização não devem ser imediatos.

Para produzir, distribuir ou vender cannabis, os profissionais devem ter uma licença concedida por uma comissão em processo de formação.

“As primeiras licenças serão concedidas, na melhor das hipóteses, antes do final do ano, e somente se tudo estiver aprovado”, alerta Cristina Buccola, advogada nova-iorquina especializada no setor.

A cannabis recreativa, agora legal em 16 estados dos EUA e em Washington DC, também continua proibida em nível federal, sugerindo possíveis desafios para a aplicação da lei.

“Em caso de conflito, o governo quase sempre vence”, disse Buccola.

Como um sinal de esperança para os defensores da legalização em todo o país, o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, que representa o Estado de Nova York, disse que é a favor e quer trabalhar em sua implementação.

- Justiça social -

A lei de Nova York se distingue de outros estados dos EUA por suas ambiciosas metas de justiça social.

Há previsão de devolver parte dos impostos sobre a venda de cannabis (uma quantia estimada de 350 milhões de dólares por ano) às comunidades mais afetadas pela repressão às drogas nos Estados Unidos: as de maioria negra e latina.

Os antecedentes criminais dos condenados por posse ilegal de maconha serão eliminados. Metade das licenças será reservada para minorias, empresas pertencentes a mulheres, ex-militares feridos e agricultores afetados.

Entre a população, a legalização nunca teve tanto apoio: 68% dos americanos são a favor, contra menos de 50% há uma década, de acordo com uma pesquisa realizada no final de 2020 pela Gallup.

Uma evolução que Jim Castetter atribui a "uma mudança de geração, mentalidade e estrutura política. Hoje todos percebem que usar cannabis não é grande vantagem."

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