Estado do Rio abriga rara espécie de macaco ainda pouco conhecida pela ciência

RIO — O Rio de Janeiro se tornou um dos únicos estados brasileiros a abrigar uma espécie rara de primata ainda pouco conhecida pela ciência: o zogue-zogue (Callicebus caligatus). Quatro exemplares da espécie, que ocorre no Amazonas e em Rondônia, vivem atualmente no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ), dentro do Parque Estadual dos Três Picos, na área localizada na cidade de Guapimirim.

Por lá, em dezembro do ano passado, pesquisadores observaram o nascimento de um macaco proveniente do grupo animal. O centro, que completou 40 anos de criação em 2019, tem como principal objetivo assegurar a continuidade das espécies por meio de um banco genético que visa dar suporte às colônias de primatas brasileiros. O centro, administrado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), cria somente primatas de espécies nativas do Brasil, com atenção especial para aquelas sob algum risco de ameaça de extinção.

— São espécies ameaçadas ou quase desconhecidas. Com relação aos zogue-zogue, não sabemos nada da biologia da espécie deles, nem o tempo de maturidade sexual e de gestacao, por exemplo. É o começo de nossa historia com esses animais — diz o primatólogo Alcides Pissinatti, chefe do CPRJ.

Para Pissinatti, o nascimento do animal em cativeiro se deu graças a um trabalho de toda uma equipe que acompanha os animais.

— Manutenção em cativeiro é muito difícil porque esses animais são altamente seletivos quanto à questão de ambiente e alimentação. Em cativeiro, eles não têm à disposição insetos, frutos, ou seja, tivemos que fazer adaptações para que sobrevivam, desenvolvam e se reproduzam. Esse filhote é um sucesso — comemora o primatólogo, destacando que os animais deste espécie chegaram ao CPRJ graças a apreensões realizadas por agentes do Ibama em estados da região Norte do país.

De acordo com o Inea, a presença de exemplares de macaco zogue-zogue em cativeiro ajuda a trazer conhecimento para a primatologia. Atualmente são mantidos em cativeiro cerca de 340 primatas de 31 espécies (além de alguns híbridos) com a finalidade principal de reprodução e recuperação das populações nativas.