Estado de São Paulo não consegue esvaziar UTIs de Covid

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois indicadores da situação da Covid-19 em São Paulo mostram que a pandemia, que teve leve arrefecimento no mês passado, pode voltar a piorar no estado ou estacionar em patamar crítico: o número de novos casos confirmados voltou a subir e o de internações em leitos de UTIs parou de cair.

A ocupação dos leitos de UTI, que atingiu seu ponto máximo (92%) na primeira semana de abril, chegava a 79% na segunda (17). O patamar mantém-se praticamente igual desde o último dia 28, quando 80% das vagas estavam ocupadas.

Já chegou a haver redução de 8% no número de internados de uma semana para outra, em 19 de abril. A última redução foi de apenas 1%.

A semana que passou registrou uma média diária de 10 mil paulistas em unidades de terapia intensiva e outros 11 mil em enfermarias.

Com exceção dos meses de abril e março, quando o estado chegou à beira do colapso do sistema de saúde, nunca houve índices tão altos de hospitalizados com Covid.

O mesmo acontece com os óbitos. Os números atuais são inferiores aos da semana mais letal da crise, quando São Paulo registrou uma média móvel de cerca de 900 mortes diárias. O patamar segue alarmante, contudo: quase 500 pessoas perdem a vida pela doença todos os dias no estado.

Como a taxa de ocupação de UTIs tem parado de cair, esse volume de óbitos pode se manter ainda por semanas.

Ao mesmo tempo, o número de novos casos diagnosticados voltou a crescer no início deste mês. Nos últimos 7 dias, houve uma média diária de 12,9 mil paulistas infectados com a doença, número quase 10% maior que a média móvel da primeira semana de maio.

Amparado pela melhora nos indicadores no mês passado, o governo do estado tem flexibilizado desde meados de abril as medidas de isolamento social e restrições ao funcionamento de serviços e do comércio,

A população, por sua vez, tem ido mais às ruas. Segundo dados de mobilidade do Google, a movimentação em locais de lazer e comércio, como restaurantes e shopping centers, cresceu 20% nos últimos 15 dias. Nas estações de transporte, o trânsito de passageiros cresceu 26% no mesmo período.

Nesta quarta (19), o governador João Doria (PSDB) anunciou que haverá maior flexibilidade no funcionamento de lojas, bares e restaurantes, com aumento da capacidade máxima permitida. As mudanças passam a valer na segunda-feira (24). Em junho, segundo o governo, haverá uma nova etapa de flexibilização.

Infectologista do Hospital Emílio Ribas, na capital paulista, Leonardo Weissman diz que a situação da pandemia no estado ainda é crítica e exige cuidado.

"Houve realmente uma queda nos números nas últimas semanas, só que ainda se mantêm números bastante elevados. Aquela curva de queda nas internações que a gente estava vendo nas últimas semanas também deixou de existir. Não há o que comemorar nem podemos dizer que o pior já passou", afirma.

No estado, cerca de 34% das pessoas com Covid que foram hospitalizadas neste ano precisaram de UTI, de acordo com dados do Sistema de Vigilância do Ministério da Saúde. Esses pacientes ficam em média 13 dias internados, 5 a mais que aqueles que foram tratados apenas na enfermaria.

Em 15% dos casos, porém, não foi informado se houve internação em unidade de terapia intensiva.

De acordo com o monitor de aceleração da Covid, do jornal Folha de S.Paulo, São Paulo está há 27 dias na fase estável, quando há um ritmo constante de novos casos, mas ainda em patamar elevado. Antes, passou mais de um mês na etapa acelerada, quando a doença se espalha de maneira desenfreada.

Para Renato Grinbaum, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, olhar para o aparecimento de novos casos é essencial para planejar novas ações de combate ao coronavírus.

"Se quisermos entender como está indo a taxa de contaminação, temos que procurar os novos casos. O número de mortes me mostra o impacto final, mas não dá informações quanto à velocidade da epidemia nem quanto aos recursos disponíveis", diz.

Ele lembra que a pandemia não está sob controle, mas afirma que o cenário neste momento é menos alarmante que no início do ano. Um ponto chave para evitar nova piora, diz, é a vacinação.

"Se o número de casos aumentou, é evidente que ficaremos em alerta. Mas esse aumento não é tão intenso quanto em março, e a ocupação dos hospitais não é tão crítica. Não tenha dúvida que a vacina, como já foi demonstrado em diversos países, pode abrandar a epidemia de forma bastante positiva", afirma.

Conforme publicou a Folha de S.Paulo, a proporção de mortes entre os brasileiros maiores de 80 anos, faixa etária com a vacinação contra a doença em etapa avançada, caiu quase 60% entre janeiro e abril.

A queda de óbitos causados pelo novo coronavírus é uma notícia positiva, mas epidemiologistas ressaltam que a infecção, mesmo que não cause danos graves num primeiro momento, pode deixar sequelas que ainda estão sendo estudadas. Há estudos que encontraram efeitos neurológicos e do sistema respiratório meses depois da infecção.

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