Estado de São Paulo registra 1.866 novos casos de Covid-19 em 24 horas

PATRÍCIA PASQUINI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As taxas de isolamento social do estado e da Grande são Paulo, que se mantiveram acima de 50% no final de semana, voltaram a cair para 47% e 48%, respectivamente, nesta segunda-feira (4).

O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, o infectologista David Uip, disse que o índice deve ser melhorado diariamente.

"Teremos enormes dificuldades em um mês se a taxa não aumentar. A população precisa estar convencida de que esta é a única forma de dar conta da assistência aos pacientes do estado de são Paulo e de municípios que fazem divisa com o estado", afirma.

Até as 18h desta segunda, o estado confirmou 34.053 casos de Covid-19, com 2.851 mortes. Em 24 horas, houve 1.866 novos casos e 197 novos óbitos. Entre os mortos, está uma criança de um ano. É o segundo bebê que morre em decorrência de Covid-19 na capital paulista.

No dia anterior, o estado havia chegado a 32.187 casos e 2.654 mortes. De domingo (3) para o dia seguinte, os números de casos e mortes registrados em 24 horas foram menores —415 e 27, respectivamente.

A doença se espalhou por 344 municípios, 53% do total do estado. Entre as vítimas fatais, estão 1.668 homens e 1.183 mulheres. Os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais (73,4%).

Em 81,1% das mortes foi encontrado algum fator de risco associado. Os mais frequentes são as cardiopatias (60%), o diabetes (43,6%) e doença renal (11,5%).

Com a abertura de novos leitos de UTI, a taxa de ocupação de leitos caiu 1,9 ponto percentual na Grande São Paulo e está mantida em 86,9%. No interior, a Secretaria de Estado da Saúde registrou alta de 1 ponto percentual, em um dia, passando de 67,9% para 68,9% no estado.

Carlos de Carvalho, diretor da divisão de pneumologia do Incor, responsável pelas UTIs do Hospital das Clínicas e integrante do comitê chefiado por Uip, diz que, por enquanto, há uma folga de 30% de leitos não ocupados no interior, o que não é realidade na capital paulista, que opera com taxa de ocupação entre 85% e 90%.

Segundo o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, há cerca de 1.800 leitos de UTI para serem abertos no estado, mas isso depende da chegada de respiradores, que deverá ocorrer a partir desta quinta (7).

Serão priorizados os hospitais da região metropolitana, a fim de baixar a taxa de ocupação com os leitos novos que passarão a integrar o sistema.

Até às 15h desta terça, as UTIs estaduais estavam com 3.661 pacientes internados com suspeita ou confirmação de Covid-19, e outros 5.694 permaneciam nas enfermarias.

Desde o início da pandemia, o Centro de Contingência de Coronavírus elaborou uma linha de cuidados ao paciente que apresente sintomas de Covid-19.

De acordo com Carvalho, o paciente vai ao hospital, onde é submetido a exames clínicos e laboratoriais, como medida de oxigenação, e exame de imagem.

Com o resultado, determina- se a gravidade. Se for um caso simples, a pessoa é orientada a retornar para casa e será monitorada. Se for mais grave, será registrado no sistema Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde), que determina o leito mais adequado conforme a gravidade do caso e disponibilidade de vagas. Pode ser uma UTI ou um leito mais isolado.

Aquele que recebe alta, é acompanhado ambulatorialmente durante um ano. "É para nós sabermos se a doença deixa sequelas no pulmão ou no organismo. Como a doença é nova, não sabemos", afirma Carvalho.

Quem vai a óbito, é submetido à necrópsia minimamente invasiva. "O corpo não é mais aberto. São feitas punções para a retirada de partes de tecidos mais importantes para entendermos a doença, uma vez que o vírus ficará circulando nos próximos anos", explica Carvalho.

Essas necrópsias minimamente invasivas estão oferecendo dados importantes sobre a Covid-19, segundo Uip.

"É uma doença multivisceral, que começa pela insuficiência respiratória em paciente grave e pode atingir outros órgãos, como coração e rins. Há um acometimento da pele, do sistema de coagulação e do sistema nervoso central. Outro fato importante é que a infecção viral promove resposta inflamatória individual, podendo ser mais ou menos intensa; há fenômenos tromboembólicos e, na sequência, a infecção bacteriana", explica.

VENTILADORES MECÂNICOS

Com a disseminação da doença, a premência por novos leitos de UTI e de equipamentos que tratem a insuficiência respiratória e atendam à necessidade de oxigenar o sangue, o comitê tem discutido um protocolo de assistência ventilatória, que foi debatido com colegas estrangeiros, para evitar que o estado repita os problemas ocorridos em países como China, Espanha e Itália.

Pesquisadores da USP e de outras universidades estão trabalhando na construção de novos ventiladores mecânicos. "Há projetos na Anvisa à espera de aprovação. Esperamos, num futuro próximo, que possam ser produzidos ventiladores nacionais, mais simples, mas que serão fundamentais para atender à população", diz Carvalho.

Uma hipótese que São Paulo aprendeu com a Itália, segundo Carvalho, é a possibilidade de fazer a ventilação não invasiva (sem intubação) quando há sobrecarga de ventiladores mecânicos para doentes intubados. Para isso é utilizado um capacete pressurizado.

"Como não temos esse capacete no Brasil, empresas e p​esquisadores estão desenvolvendo capacetes nacionais para desafogar as UTIs e postergar ou nem chegar à necessidade de intubação. Como ainda não temos medicamentos eficazes para eliminar o vírus, precisamos que o doente tenha uma ou duas semanas de tempo vivo para que consiga produzir anticorpos e neutralizar o vírus", explica Carvalho.

O Hospital das Clínicas receberá até sexta-feira alguns capacetes para testes, mas a aprovação final ficará a cargo da Anvisa.