Estados alteram ordem do plano nacional de vacinação e priorizam forças de segurança e professores

RAQUEL LOPES
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Apesar do Plano Nacional de Operacionalizações de Vacinação contra a Covid-19 estabelecer uma ordem de imunização do grupo prioritário, alguns estados e o Distrito Federal têm colocado professores e forças de segurança antes de categorias que estariam na frente. Essas ações vão contra as diretrizes do Ministério da Saúde, segundo o qual os estados não devem pular a ordem de vacinação do grupo prioritário. Os entes federados, porém, têm autonomia para montar seu próprio esquema de vacinação de acordo com as características de sua população, demandas específicas de cada região e doses disponibilizadas. "Conforme a campanha de vacinação avance nos estados e municípios, eles podem ampliar a imunização do grupo prioritário desde que sigam a ordem prevista no Plano Nacional de Operacionalizações", disse a pasta, em nota. As mudanças que vêm ocorrendo nos estados foi tema da primeira reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), após a criação do comitê nacional contra Covid-19. Governadores cobraram que todos os estados sigam os critérios de vacinação prioritária do plano. O Ministério da Saúde já entregou às unidades da federação mais de 33,9 milhões de doses da vacina contra o coronavírus, destinadas a trabalhadores de saúde, quilombola e idosos. No entanto, já há estados vacinando as forças de segurança. Fazem parte do grupo policiais federais, militares, civis e rodoviários, além de bombeiros militares, civis e guardas municipais. Isso ocorre após forte pressão do setor em razão do aumento de casos de mortes de policiais. Das 18 unidades da federação que responderam, cinco adiantaram a vacinação dessa categoria. Cada governo estadual tem programado o seu calendário e como vai funcionar essa imunização. Há alguns que também incluíram professores e pessoas com doença crônica renal. No Pará a vacinação das forças de segurança teve início no dia 20 de março, assim como a imunização dos agentes operacionais das regiões que se encontram em lockdown. No Distrito Federal a previsão é que a vacinação comece nos próximos dias, em paralelo com a vacinação dos idosos, e sejam reservadas de 10 a 15% das doses para esse grupo. Em Goiás a previsão também é de começo da vacinação de forças policiais na próxima semana, com reserva de 5% das doses. Já em São Paulo os professores também terão a vacinação adiantada para o dia 12 de abril. A vacinação dos policiais começa no dia 5 de abril. No Espírito Santo a estratégia é reservar 5% das doses também para esses dois grupos, com início previsto para 15 de abril. A Bahia adiantou a vacinação de pessoas com doença crônica renal em tratamento de hemodiálise. "Essa decisão foi tomada considerando a situação epidemiológica, a taxa de ocupação de leitos de UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e o caráter permanente de exposição deste público", disse o governo. A epidemiologista Carla Domingues, que esteve à frente do PNI (Programa Nacional de Imunizações) por oito anos (2011-2019), disse que as mudanças feitas pelos estados desarticulam o processo de vacinação e a comunicação com a população. Domingues afirmou que não é contra adiantar a vacinação de professores e das forças de segurança, mas que isso precisa ser algo decidido nacionalmente. "Teria que ter um consenso nacional. Cada local tomando uma decisão, vai ficar difícil controlar a demanda social por vacina." Segundo ela, a mudança sendo feita diretamente pelos estados pode trazer desorganização na vacinação, confusão da população e a ida de pessoas a estados que já estiverem aplicando a vacina na categoria a que ela pertence.