Estados desativam leitos para Covid, mas mantêm alerta com avanço da delta

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*ARQUIVO* BRAGANÇA PAULISTA, SP, BRASIL, 02-03-2021: Equipe médica durante tratamento de paciente com coronavírus na UTI de COVID-19 do Hospital Universitário São Francisco, em Bragança Paulista. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
*ARQUIVO* BRAGANÇA PAULISTA, SP, BRASIL, 02-03-2021: Equipe médica durante tratamento de paciente com coronavírus na UTI de COVID-19 do Hospital Universitário São Francisco, em Bragança Paulista. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

SALVADOR, BA, CURITIBA, PR, PORTO ALEGRE, RS, RIO DE JANEIRO, RJ, BELO HORIZONTE, MG, RECIFE, PE, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com relativa tranquilidade na ocupação de leitos para Covid-19, estados e municípios começam a desativar leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para a Covid-19 ou usá-los para o tratamento de outras doenças.

Dentre as capitais brasileiras, o Rio de Janeiro é a única que enfrenta um cenário crítico, com a taxa de ocupação de 95%,. Em seguida, está Curitiba com 74% e Belo Horizonte com 72%. No outro extremo, Rio Branco (no Acre) tem uma ocupação de apenas 9% dos leitos.

Com a queda de demanda, nos últimos quatro meses os estados reduziram em cerca de 20% o número de leitos destinados a pacientes infectados com o novo coronavírus.

Em abril, pico da segunda onda da pandemia no Brasil, os estados tinham 36,9 mil leitos ativos para o tratamento da doença. Nesta segunda-feira (16), 29,1 mil leitos estão disponíveis.

Ainda assim, governos estaduais e prefeituras se mantêm em alerta diante do avanço do variante delta no país, preparando-se para uma possível terceira onda da pandemia no país.

No Rio de Janeiro, a situação tem se tornado mais alarmante nas últimas semanas, com o relaxamento das medidas de proteção pela população e o avanço da delta, que já ultrapassou a gama e é predominante entre as amostras analisadas por laboratórios.

A taxa de ocupação de UTIs subiu de 90% para 95% na capital em 20 dias e sete cidades do estado registram lotação total, apesar de a situação ainda não estar caótica como em outros picos da doença, segundo os médicos. No estado como um todo, o aumento foi de 59% para 70% no mesmo período.

Os fluminenses encabeçam uma tendência de piora em todo o país e são a principal preocupação de pesquisadores em saúde pública neste momento —seguidos por outros estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste em geral, que agora não estão mais em queda.

Governos estaduais começam a adotar medidas para tentar frear a disseminação da nova variante. No Ceará, após o registro dos 15 primeiros casos da delta no estado, o governador Camilo Santana (PT) interrompeu no início de agosto as medidas de flexibilização para a retomada das atividades econômicas.

“Nossa preocupação agora é reforçar o monitoramento para compreender as manifestações dessa variante”, afirmou ele. O estado está com 44% dos leitos para Covid-19 ocupados.

Na última semana, o governo determinou que passageiros de voos com destino ao Ceará só podem embarcar em direção ao estado após apresentarem atestado de vacinação completa ou exame negativo para Covid-19 feito 72 horas antes da viagem. É o primeiro estado a fazer essa exigência.

A decisão que garantiu a adoção da medida para impedir a propagação de variantes foi concedida em 11 de agosto pela Justiça Federal.

Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara (PSB) anunciou um programa de testagem em massa para verificar a presença da delta da Covid-19 no estado. O anúncio foi feito na semana em que o estado registrou os primeiros casos na nova variante no estado.

Após enfrentar um cenário crítico no primeiro semestre deste ano, Pernambuco está com 42% dos leitos ocupados, mesmo com a desativação de pelo menos 220 leitos nas últimas três semanas.

Em Salvador, a taxa de ocupação está em 33%, um dos níveis mais baixos registrados desde o início da pandemia. Ainda assim, a prefeitura optou por desacelerar o processo de retomada das atividades econômicas.

O primeiro evento-teste da retomada, que seria realizado em 29 de julho, foi adiado. O evento seria realizado com 500 pessoas vacinadas com ao menos a primeira dose e testadas para Covid-19.

O prefeito Bruno Reis (DEM) disse estar preocupado com o universo de pessoas que não foram tomar vacina —cerca de 90 mil pessoas entre 21 e 39 anos ainda não tomaram a primeira dose.

“Eu faço um apelo às pessoas: vão se vacinar, vamos concluir o processo de vacinação para que gente possa voltar à nossa normalidade”, afirmou.

Em toda a Bahia, a ocupação de leitos de terapia intensiva está em 38%. O governo do estado flexibilizou medidas restritivas, mas ainda restringe eventos a no máximo 300 pessoas.

Na última semana, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), reagiu à venda de ingressos para festas de Réveillon com até 5.000 pessoas e afirmou que não há autorização para realização de eventos com multidões no estado.

Entre os estados do Sul, o Paraná já enfrenta um crescimento nas taxas de transmissão do novo coronavírus.

O indicador, que representa a média de quantas pessoas podem ser infectadas por um paciente já contaminado, superou a marca de 1 no dia 1º de agosto, e chegou a 1,16 nesta terça-feira (16) em Curitiba. Isso significa que um grupo de 100 pessoas que tenham o coronavírus vai contaminar 116 pessoas.

A taxa de ocupação de leitos se manteve praticamente estável nas últimas três semanas no estado, em 61%. Cerca de 150 leitos de terapia intensiva foram remanejados para atender outros pacientes que não de Covid-19.

No Rio Grande do Sul, com dez leitos de UTI a menos na rede pública, a ocupação passou de 65% na última semana de julho para 56% nesta semana. Em Porto Alegre, onde o total de leitos públicos se manteve igual, o percentual passou de 70% para 60%.

Mas mesmo com a tendência de queda, o estado tem registrado surtos em unidades hospitalares —um deles, no Hospital Nossa Senhora da Conceição, contabilizava 10 mortes e 110 infectados, entre pacientes e funcionários, até esta segunda-feira.

Em 24 de julho, o governo reconheceu a transmissão comunitária da variante delta em território gaúcho. Segundo o painel estadual, o Rio Grande do Sul atingiu 80% da população vacinada com aplicação da primeira dose e 39% com a segunda.

As internações por Covid-19 também seguem em queda no estado de São Paulo. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o declínio é reflexo da vacinação e das medidas de prevenção e combate à doença.

Nas duas últimas semanas a redução foi de 8% nas hospitalizações. Nesta segunda-feira (16), 8.270 pacientes estavam internados com confirmação ou suspeita da doença em todo o território, sendo 4.237 em UTIs. A taxa de ocupação de leitos de UTI é de 43%.

Na região Norte, Roraima, Tocantins e Rondônia são os únicos em um patamar de ocupação de leitos acima de 50%. Na maior parte das capitais, prefeituras e governo estaduais estão desativando leitos.

Em Boa Vista (em Roraima), há apenas 10 vagas de UTI para Covid no Hospital Geral de Roraima, único que atende pacientes adultos com casos graves da doença. Desde o dia 26 de julho, foram fechados 24 leitos intensivos no estado, e a ocupação teve leve aumento de 64% para 67%.

A prefeitura de Boa Vista, contudo, tem alertado para a baixa adesão da vacinação entre os jovens. Até o momento, 57% dos adultos no município receberam uma dose do imunizante, porcentagem inferior à média do país, que supera os 70%.

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