Estados dos EUA suspendem abortos em nome da luta contra o coronavírus

Manifestante contra o aborto em frente a clínica do Missuri, em 31 de maio de 2019

Os estados do Texas e Ohio, nos Estados Unidos, ordenaram a suspensão de todas as operações não urgentes, incluindo abortos, devido à crise causada pela pandemia de coronavírus.

Essas decisões foram criticadas pelos defensores do direito da mulher de interromper a gravidez, que denunciou uma manobra "ideológica" e lembrou que o aborto não pode esperar.

O governador republicano do Texas, Greg Abbott, ordenou no sábado que se adiem "intervenções que não são imediatamente necessárias", para garantir a disponibilidade de leitos para os pacientes com Covid-19 e equipamentos de proteção para a equipe médica.

A ordem se aplica a abortos, exceto em casos de perigo para a vida da mãe, disse o procurador-geral do estado conservador Ken Paxton na segunda-feira.

"Aqueles que violarem a ordem do governador serão punidos em todo o rigor da lei", disse ele em comunicado, citando penas de até 180 dias de prisão e uma multa de US$ 1.000.

"Não surpreende ver este procurador-geral usar qualquer desculpa para avançar sua agenda ideológica", disse Kathy Miller, presidente da associação local de defesa do aborto Texas Freedom Network.

Destacando "a janela de tempo limitado" que as mulheres nesse estado precisam abortar, Miller disse em um comunicado que "adiar intervenções" significa negar às mulheres o direito constitucional de tomar essas decisões com segurança".

Em Ohio, após uma decisão das autoridades de saúde de suspender operações "não urgentes", o procurador-geral enviou mensagens a três clínicas de aborto para ordenar que aplicassem a medida.

Duas das clínicas mencionadas, gerenciadas pela organização Planned Parenthood, asseguraram que seguem as medidas e suspenderam todas as intervenções não urgentes. No entanto, afirmaram em um comunicado que "os abortos são procedimentos médicos essenciais e urgentes".