Estados terão vacina a partir do 'terceiro ou quarto dia' após autorização da Anvisa, diz Pazuello

Renato Grandelle
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Sandro Pereira/Fotoarena/Agência O Globo

RIO — Criticado por declarações vagas sobre o início da campanha de imunização contra a Covid-19, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou esta manhã que o Brasil, que teria "o maior programa de vacinação do mundo", é capaz de levar imunizantes aos estados a partir de três ou quatro dias após receberem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com Pazuello, todos os estados receberão simultaneamente os imunizantes, o que será "um exemplo para o mundo". O ministro aguarda a autorização para uso emergencial de seis milhões de doses da vacina CoronaVac e dois milhões da AstraZeneca. Com isso, segundo ele, o Brasil tornaria-se o país com maior programa de imunização do mundo — mas, na verdade, a China e os EUA já vacinaram ao menos 8,9 milhões de pessoas.

As declarações foram dadas em Manaus, durante a apresentação do Plano Estratégico de Enfrentamento à Covid no Amazonas, estados em que registrou no sábado (9) o maior número de internações por Covid-19 desde o início da pandemia.

Pazuello também defendeu-se das críticas da dificuldade do ministério para comprar insumos necessárias para a campanha de vacinação. A pasta só conseguiu garantir 2,4% das seringas e agulhas que buscava adquirir em um pregão eletrônico em dezembro.

— No Plano Nacional de Imunização (PNI), a responsabilidade pelos insumos é da prefeitura e do estado. Cabe ao governo federal distribuir as vacinas. Aí o cara pergunta: "e por que você está comprando seringa e está apanhando todo dia com a história da seringa?". É o estoque regulador — justificou o ministro, acrescentando que cabe à União dar suporte às cidades que não tiverem produtos armazenados.

Há três períodos para o início da vacinação, segundo o ministro. O cenário mais otimista indicaria que o produto estaria à disposição da população até o dia 20 de janeiro. O panorama médio aborda o período entre 20 de janeiro a 10 de fevereiro. E o que chama de "dilatado" teria a imunização nos postos de saúde a partir de 10 de fevereiro ao início de março.

Os entraves enfrentados pelo ministério são a falta de registro da vacina CoronaVac em seu próprio país de origem, a China, e as dificuldades para importação da vacina AstraZeneca, produzida pelo Instituto Serum, na Índia, o que ocorrerá, diz Pazuello, nos próximos dez dias. Ambas as vacinas estão sendo analisadas pela Anvisa.

Outras vacinas não devem chegar ao pais a curto prazo. A fase 3 dos ensaios clínicos da vacina russa Sputnik vão durar ao menos três meses no Brasil. A Jannsen terá somente 3 milhões de doses disponíveis, e em maio. A Moderna custará US$ 37,50 a dose, cerca de dez vezes maior do que a AstraZeneca. E o governo federal ainda está em fase de negociações com a Pfizer, mas receberia menos de 2 milhões de doses.

— O que é que fica claro? Ou nós produzimos as nossas vacinas ou nós não vamos vacinar o povo brasileiro — explicou Pazuello. — Quando eu distribuir as vacinas, rapidamente chega na ponta da linha e vacina todo mundo. Mas eu preciso de grandes quantidades, e só temos grandes quantidades (se forem) produzidas no Brasil.