EUA e UE prolongam trégua na disputa entre Boeing e Airbus

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em uma entrevita coletiva em Bruxelas, Bélgica, em 14 de junho de 2021

Estados Unidos e União Europeia (UE) devem anunciar nesta terça-feira (15) uma prorrogação de vários anos da trégua no conflito interminável entre os grupos Boeing e Airbus, durante uma reunião do presidente Joe Biden com os principais líderes das instituições europeias.

A divergência está sem solução desde 2017, com pesadas tarifas punitivas dos dois lados, mas as partes decidiram tomar um prazo de até cinco anos sem sanções, ou tarifas recíprocas, para encontrar uma solução definitiva.

"Temos um acordo para ter o tempo de alcançar uma solução de longo prazo. Neste período, as sanções serão suspensas", disse à AFP uma fonte europeia próxima do caso.

Em março, a UE e o governo americano decidiram suspender a aplicação das tarifas até 11 de julho, e agora pretendem anunciar uma trégua de vários anos.

O anúncio sobre a extensão da trégua deve ser formalizado ao final da reunião desta terça-feira entre Biden com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

"Tenho confiança de que vamos alcançar um acordo sobre o caso Airbus e Boeing, na conversa com nossos amigos americanos", disse Von der Leyen durante uma entrevista coletiva com o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

"Não podemos subestimar isto. É a disputa mais longa na história da Organização Mundial do Comércio, de forma que é nosso interesse comum resolver", completou, ao ser questionada sobre a iminência do anúncio do acordo.

A reunião entre Biden, Michel e Von der Leyen representa a retomada de uma relação que enfrentou momentos difíceis em anos recentes, devido ao acúmulo de disputas comerciais.

De acordo com fontes diplomáticas, uma declaração final posterior à reunião de cúpula mencionará todas as divergências comerciais. Os negociadores trabalhavam de maneira intensa em busca da linguagem adequada para mostrar boas intenções, mas sem ceder muito terreno.

A eleição de Biden e a saída de cena de Donald Trump da Casa Branca provocaram um evidente entusiasmo nas capitais europeias, interessadas em restabelecer pontes com um grande aliado.

Além da controvérsia entre Boeing e Airbus, um dos temas mais importantes é encontrar uma solução para a grave disputa comercial que começou em 2018 quando Trump adotou tarifas elevadas para a importação de aço e alumínio europeus.

A UE respondeu com a adoção de tarifas a produtos americanos que alcançaram 2,8 bilhões de euros.

Desde a chegada de Biden à Casa Branca, as partes deram sinais de interesse em uma solução, mas agora os europeus esperam gestos concretos, e não apenas discursos.

ahg-bur/me/fp/tt

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