Estalo na mandíbula, zumbido no ouvido e dor de cabeça são sintomas de doença que afeta mais mulheres

Raphaela Ramos
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Dores de cabeça, zumbidos no ouvido e mandíbula estalando: esses sintomas, muitas vezes confundidos com outras doenças, podem ser um sinal da disfunção temporomandibular, conhecida também como DTM. Essa condição é uma anormalidade da articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos de abrir e fechar a boca, ou dos músculos responsáveis pelo ato de mastigar.

— Como a dor se localiza próxima à região do ouvido, é muito comum a DTM se confundir com problemas relacionados a ele, e a primeira especialidade que os pacientes costumam procurar são os otorrinolaringologistas, que acabam encaminhando para uma avaliação de um profissional especializado nesse tipo de alteração — explica o cirurgião bucomaxilofacial Fábio Sato.

Ele explica que a DTM é sempre multifatorial, ou seja, causada por uma soma de fatores. O dentista Mario Kruczan, especialista em implantes e reabilitação oral, afirma que alguns pontos são levados em conta para o diagnóstico dessa condição:

— Entre eles estão os traumas na mandíbula, características anatômicas na sua formação, má postura, artrite na ATM, distúrbios do sono, bruxismo e estresse. Além disso, alguns hábitos também podem influenciar, como morder lábios ou bochechas, apoiar a mandíbula nas mãos, morder tampas de canetas ou outros objetos e roer as unhas — afirma.

A Academia Americana de Dor Orofacial estima que de 40% a 75% da população apresenta algum sinal de DTM. Os especialistas afirmam que o grupo mais afetado é o das mulheres jovens. No entanto, homens, crianças e idosos também estão sujeitos a desenvolver o problema.

— O principal motivo para ser mais comum entre as mulheres é a questão hormonal, pois na ATM existem receptores de hormônios femininos que favorecem o aparecimento da DTM — explica Sato.

Os odontologistas destacam que o diagnóstico precoce é muito importante, portanto é necessário buscar um profissional especializado o quanto antes.

— Se houver algum sintoma, é importante consultar um cirurgião-dentista para que seja feita uma análise clínica — recomenda Kruczan.

Sato explica que se o problema demorar a ser identificado, o tratamento se torna mais complexo, com a possibilidade de necessidade de intervenção cirúrgica.

— Quanto mais cedo diagnosticado, mais indicado é o tratamento clínico e melhor o prognóstico. Nos casos de diagnóstico tardio, é maior a chance de necessidade de tratamento cirúrgico — afirma o cirurgião bucomaxilofacial.

- Dores na articulação temporomandibular, que fica próxima ao ouvido

- Dores na musculatura mastigatória

- Dores de cabeça frequentes

- Dificuldade na hora de abrir e fechar a boca

- Mandíbula estalando

- Zumbido e sensação de ouvido entupido

Clínico - Recomendado na maioria dos casos, envolve medicação, uso de dispositivos oclusais, fisioterapia, exercícios de relaxamento da musculatura, entre outros

Cirúrgico - É indicado somente para os casos mais graves. Dependendo da gravidade, é possível realizar um tratamento minimamente invasivo

Multidisciplinar - É indicado que o tratamento seja multidisciplinar, com um cirurgião-dentista auxiliado por uma equipe com psicólogo, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e até mesmo neurologista

Terapia - O problema pode estar associado a sintomas de ansiedade ou depressão, nesses casos é possível tratar com terapia cognitiva comportamental

Hábitos saudáveis - Como alguns fatores que contribuem para DTM estão relacionados ao estresse, é recomendado manter um estilo de vida saudável como prevenção. Atenção à postura, principalmente ao sentar, e prática de exercícios físicos são importantes