‘Estamos apenas no início da crise nos mercados financeiros’, diz Mark Mobius

Glauce Cavalcanti
Mark Mobius vê risco de uma nova crise financeira mundial, desencadeada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China. Foto: Razan Alzayani/Bloomberg

RIO – O impacto da pandemia do coronavírus no mercado financeiro está no início, com uma duração estimada em aproximadamente 1,5 ou 1,7 ano, avalia o investidor veterano Mark Mobius. Ele sustenta que a queda no preço do petróleo e o provável corte na produção global é cenário passageiro, já que a demanda pela commodity não vai cair num futuro próximo. E afirma que todos os países terão queda no PIB este ano, alguns terão recessão.

- Avaliamos 11 mercados financeiros do mundo em “bear market”, considerando situações de crise desde 1987. E há uma queda de aproximadamente 50% neles, variando entre 21% e até 70%. Vimos que esses períodos, no passado, tiveram 1,5 a 1,7 ano de duração – disse o especialista em mercados emergentes que, da África do Sul, participou de videoconferência organizada pelo BTG Pactual na tarde deste sábado.

Ele destaca que a crise atual, contudo, é diferente de outras anteriores, porque se abateu sobre países de todo o mundo de uma só vez.

Companhias que se destacam nos setores de telecomunicações e internet estão indo bem, apesar da crise. Também grupos de setores como os de produção e comercialização de alimentos apresentam bom desempenho ao se adaptarem à demanda durante a pandemia.

Do lado do petróleo, em meio a incerteza quanto ao corte de produção pelos grandes produtores, incluindo a Arábia Saudita, Mobius avalia que a demanda global por petróleo não vai cair num futuro próximo, considerando que a commodity não é utilizada apenas como combustível.

Mobius frisou que o mundo vai superar a pandemia certamente antes do fim do ano. Haverá impacto, mas será contornado.

- O Brasil enfrenta desafios, mas não está sozinho. Todos os países terão queda no PIB. A China deve crescer menos, outros terão recessão. Mas não quer dizer que vão quebrar – pondera o investidor. – A vida vai retomar. Pode haver problema com a economia informal, com o recolhimento de impostos. Mas as pessoas vão continuar precisando comer, viajar.

Passada a turbulência, a tendência é de que as pessoas ampliem investimentos em bolsa, em razão da queda da taxa de juros, e o Brasil deve seguir essa tendência.

Também os governos estão empenhados em conter o avanço da pandemia e, conforme se tenha avanços em tratamentos para o vírus poderá ser possível definir condutas, afirmou.

- Os governos estão respondendo, mas o lockdown pode estra indo longe demais. Identificando e testando os vulneráveis, adotando estratégia vertical, se poderia ir deixando o resto da economia funcionar.