Estandarte de Ouro: para a ala das baianas, uma coroação que vale pela nota 10

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“Quando entro na Avenida, é como se eu estivesse em órbita numa nave. Esqueço de tudo, acho que faço além do que posso”. A declaração, de genuíno prazer e amor pelo carnaval, é de Tia Nilda, uma das baianas mais reconhecidas do universo do samba, que faz parte da história da Mocidade Independente, onde ganhou o título de “matriarca das baianas”. E na coleção de prêmios que já venceu ao longo de 45 anos dessa completa entrega à verde e branco da Zona Oeste carioca, ela guarda com especial carinho três deles: dois Estandartes de Ouro de melhor ala das baianas, em 2006 e 2008 — anos em que esteve no comando do grupo de senhoras de Padre Miguel —, e outro de personalidade, em 2019.

— A possibilidade de ganhar o Estandarte motiva toda a ala. Antes do anúncio dos vencedores, fica aquela curiosidade. E eu acho que todas merecem — diz Tia Nilda.

Essa expectativa que ela revela, no caso das baianas, tem um ingrediente a mais: fundamentais às estruturas de uma escola de samba, elas não são um quesito no julgamento oficial, mas têm no Estandarte uma espécie de coroação.

— E tenho certeza que este ano, por tudo que passamos na pandemia, as baianas vão para a Avenida com ainda mais garra, agradecer pelo presente da vida. Aos 80 anos, hoje estou proibida pelos médicos de desfilar no chão. Venho, então, num carro alegórico. Mas é minha filha Sheila Maria que está responsável pelas baianas da escola. E sempre digo a ela da importância de que todas cantem, sorriam, porque o samba faz bem à alma — garante Tia Nilda.

Na Imperatriz Leopoldinense, a gana por voltar à Avenida — e à disputa pelo Estandarte — é a mesma. A ala de baianas da escola é a maior campeã da categoria na história do prêmio, com oito condecorações. E não quer perder esse posto. Tem planos, aliás, de conseguir ampliar a vantagem para a segunda colocada, o Salgueiro, dono de seis prêmios.

André Bonatte, diretor cultural da escola, enumera que trunfos, em geral, as senhoras de Ramos costumam ter para se destacar entre as demais.

— Elas têm uma característica pré-definida. São muito tradicionais, não gostam de ousar. Independentemente do carnavalesco, as fantasias têm que ter rendas, babados, pano da costa, colares e guias, um pequeno adereço de mão ou de cabeça, como um tabuleiro de frutas ou um jarro, que lembre uma baiana tradicional — diz ele sobre o primeiro ponto forte da ala da Imperatriz.

O outro, acrescenta o diretor, é o comprometimento de cada uma das componentes, entre as quais a Dona Neusa, de 82 anos, é a mais velha.

— É um grupo muito apaixonado. Muitas desfilam há décadas — completa.

Ele também ressalta que, como não é um quesito do julgamento oficial, para a ala, o Estandarte é um grande objetivo, um motor para que todas as integrantes façam seu melhor nos giros pela Passarela.

— É como se fosse a nota 10 para a ala. A que vence o prêmio é nota 10. As outras são 9,9, porque só há uma campeã — diz Bonatte, enxergando uma diferença entre o júri do prêmio e o oficial. — Se fosse quesito e se um chapéu de uma baiana caísse em frente à cabine de jurados, talvez uns décimos fossem descontados da ala. No Estandarte, não. Porque se olha para o conjunto, para a emoção também — comenta.

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