Dançar, usar a roupa X ou Y não é exclusividade das “novinhas

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Sheila Mello (Foto: Instagram)
Sheila Mello (Foto: Instagram)

Resumo da Notícia

  • Sheila Mello foi criticada por "rebolar" durante uma aula.

  • Comportamentos femininos ainda são alvo de críticas.

  • Essas críticas acontecem tanto por estereótipos de idade, quanto de vestimenta.

O que uma mulher de 40 anos pode fazer? Segundo um senso comum bastante retrógrado, nada além das suas funções pré-determinadas: cuidar da casa, da família, se vestir de acordo… enfim, "se comportar". No entanto, temos visto uma série de exemplos de mulheres que fogem a esse padrão e têm ganhado destaque nas redes sociais. Mais recentemente, Sheila Mello foi uma delas.

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A dançarina, que, como todos lembram, alcançou a fama como "a loira do Tchan", publicou recentemente no Instagram um vídeo em que aparece rebolando (muito!) em uma aula de dança. A coreografia muito bem feita foi combinada com um look que pode ser chamado de "ousado": uma legging inteira furada, top cropped e sapatos de salto alto.

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Entre os muitos elogios, um comentário pareceu chamar a atenção da própria Sheila. Dizia ele: "Deixa isso pras novinhas". A dançarina, claro, respondeu: "Por quê? Isso é minha paixão! Você largaria a sua por achometros dos outros? Quero mais é que as novinhas e velhinhas dancem, o mundo seria melhor! Você, inclusive, podia dançar!"

Não é de hoje que mulheres são repreendidas e até mesmo desincentivadas a fazerem determinadas atividades ou usarem certas peças de roupa por conta da idade. Ainda hoje, vemos uma série de críticas por conta de comportamentos femininos depois do que a sociedade considera de "aceitável" em termos de idade. Tudo isso porque, desde sempre, o ideal de juventude e beleza sempre pendeu mais para o lado das mulheres do que dos homens. A noção de que as mulheres mais jovens são mais interessantes e atraentes é perpetuada há décadas, assim como a invisibilidade das mulheres acima de certa idade.

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Aliás, no filme "Orgulho e Preconceito", uma adaptação do icônico livro de Jane Austen, uma cena denota muito bem que, há séculos, essa ideia é defendida e passada de geração em geração. Lá nos anos 1800, uma das personagens, Charlotte Lucas, comenta não poder recusar uma proposta de um casamento de um homem desprezível porque "já tem 27 anos" e é vista como "um peso para os pais".

Os tempos mudaram, estamos séculos à frente, mas questionar comportamentos femininos, especialmente de mulheres mais velhas, é algo que continua acontecendo. Veja Naomi Campbell, por exemplo, que decidiu ser mãe aos 50 anos e também precisou ouvir uma série de críticas sobre a escolha - quando essa deveria ser da conta apenas da modelo e de mais ninguém.

Casar, ter filhos, casa

Se até mesmo a dança deve ser reservada apenas "às mais novinhas", o que dirá das grandes conquistas da vida, como casar, ter filhos ou comprar uma casa? A ideia de que existe uma data limite para que as mulheres cheguem ao "auge", assim como para fazer atividades que gostam - como dançar! - é absurda e limitadora.

Jennifer Lopez, no SuperBowl do ano passado, passou por uma situação semelhante, quando viu o seu corpo de 50 anos virar manchete dos jornais porque subiu ao palco com um pique invejável numa noite marcante para a comunidade latina norte-americana. Seja para uma apresentação globalmente assistida ou para dançar numa sala de aula fechada, dizer que essas mulheres estão "velhas" para isso é o mesmo que tirar delas a possibilidade de aproveitar o tempo de vida que têm. Se, no Brasil, a expectativa de vida para a mulher é de 80 anos, segundo o IBGE, e o senso comum diz que a partir dos 30 ela está "ficando velha", o que resta para elas fazerem com os 50 anos seguintes?

E, claro, vale lembrar que o mesmo não vale para os homens. De jeito nenhum! Para eles, meia-idade é motivo de comemoração, afinal, homens como George Clooney, Antonio Banderas, Mark Ruffalo e Will Smith já passaram dos 50 anos, mas ainda são considerados galãs e ganham o protagonismo de filmes que são sucesso de bilheteria.

E quando se fala em roupas, hein?

Na última semana, tivemos também um caso que sai um pouco do âmbito da idade, mas ainda assim mexe com questões relacionadas ao comportamento feminino. Uma halterofilista disse ter sido impedida de continuar em um voo da companhia aérea American Airlines porque estava usando "roupas inadequadas".

Deniz Saypinar, de 26 anos, contou nos Stories que estava revoltada porque foi informada de que sua roupa era ofensiva. Natural da Turquia, ela recentemente mudou para os Estados Unidos para "aproveitar a liberdade" e crescer profissionalmente - ela foi, inclusive, a primeira mulher turca a receber o título de halterofilista pela Federação Internacional de Halterofilismo e Fitness. Segundo o Daily Mail, a equipe do voo disse que ela estava "nua" e que sua roupa causava desconforto nos outros passageiros.

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"Eu não estou nua", disse ela nos vídeos. "Sou uma atleta, e agora eu tenho que ficar aqui até amanhã. Eu gosto de usar roupas femininas que mostram a minha feminilidade, mas eu nunca me visto de uma forma que vai ofender alguém. Eu sou madura e civilizada o bastante para saber o que eu posso e não posso usar".

A revolta de Deniz é compreensível já que, em teoria, os Estados Unidos são um país muito mais aberto do que outros que, ainda hoje, vivem regimes totalitaristas que determinam diretamente o que as mulheres devem ou não usar. Por isso, observar esse tipo de repreensão é desconcertante.

"É 2021 e ainda existe um dress code que você tem que seguir para subir num avião, claro, apenas se você for mulher. Isso é ridículo. Ensine a sociedade a respeitar as mulheres, ao invés de dizer a elas o que vestir ou não". Nós não poderíamos concordar mais.

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