Estoque de crédito no Brasil sobe 1,6% em junho mesmo com alta nos juros

Moedas de reais

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) - O estoque total de crédito no Brasil subiu 1,6% em junho sobre maio, a 4,956 trilhões de reais, correspondente a 53,9% do Produto Interno Bruto (PIB), divulgou o Banco Central nesta segunda-feira, indicando manutenção de dinamismo mesmo em meio ao ciclo de alta dos juros no país.

O movimento reflete um crescimento nas concessões médias de crédito, com alta de 4,9% no mês, a 24,0 bilhões de reais, acumulando uma elevação de 24,3% em 12 meses.

No recorte por tipo de tomador dos empréstimos, o saldo de crédito a pessoas físicas subiu 1,3% no mês e 21,5% em 12 meses. Para as pessoas jurídicas, o crescimento foi de 2,1% em junho e 12,8% em 12 meses.

O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, disse que o principal fator a contribuir para esse quadro é o crescimento da atividade econômica no país. Ele usou como exemplo as concessões de financiamentos à exportação, que tiveram alta de 81% em 12 meses, e à importação, com crescimento de 73% no mesmo período.

Em sua reunião de agosto, o Comitê de Política Monetária subiu a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, a 13,75% ao ano, e indicou que pode ter encerrado ou está perto de finalizar o ciclo de aperto. O nível da Selic está 11,75 pontos percentuais acima da mínima histórica de 2% atingida no início de 2021 em meio à pandemia de Covid-19.

O ciclo implementado pelo BC está refletido nas taxas cobradas pelos bancos. De acordo com os dados da autarquia, a média dos juros das operações manteve o ritmo de alta e subiu 0,5 ponto percentual em junho sobre o mês anterior, a 28,1% ao ano --em junho de 2021, estava em 20,0%.

Quando considerado apenas o crédito livre, em que as taxas são pactuadas livremente entre bancos e tomadores, os juros subiram 1,0 ponto no mês, para 39,0%, alta de 10,6 pontos percentuais em 12 meses. Nos recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve recuo de 0,1 ponto no mês, a 10,7%, com elevação de 3,4 pontos em 12 meses.

O spread bancário, diferença entre o custo de captação das instituições e o valor cobrado nos empréstimos ao público, subiu a 26,5 pontos percentuais no crédito livre, sobre 25,9 pontos no mês anterior e 21,5 pontos em junho de 2021.

Mesmo com a elevação do volume de crédito e a alta nos juros, Rocha afirmou que a inadimplência no país está "bem comportada". No mês, a taxa no segmento de recursos livres ficou em 3,6%, mesmo patamar de maio, uma alta de 0,7 ponto percentual em 12 meses.

A apresentação dos dados de junho originalmente ocorreria no fim de julho, mas as divulgações pelo BC seguem atrasadas mesmo após quase dois meses do fim da greve de servidores do órgão.

Também com atraso, o BC apresentou nesta segunda-feira os dados relativos a maio. No mês, o estoque total de crédito cresceu 1,1% em relação a abril, em patamar equivalente a 53,7% do PIB.