'Estou comendo macarrão de 1 dólar': longe do luxo, namorado de Kat Torres, presa por explorar brasileiras nos EUA, pede dinheiro para comer e viajar ao Brasil

O americano Zachary Menkin, de 23 anos, namorado da falsa guru espiritual Katiuscia Torres Soares, de 34, que está presa em Minas Gerias por suspeita de tráfico de mulheres para fins de exploração sexual nos EUA, criou uma campanha de arrecadação para angariar US$ 1.500 dólares, segundo ele, para conseguir "comer e ter um teto sobre sua cabeça", além de "alimentar seus animais". O cenário descrito na vaquinha, compartilhada por Zach em um grupo de WhatsApp fechado com seguidoras da autodeclarada bruxa, contrasta totalmente com a vida de luxo pintada pelo casal nas redes sociais, onde ambos aparecem sempre em cenários deslumbrantes, hotéis e mansões. A própria página usada por Menkin para pedir dinheiro é ilustrada com uma foto dos dois bem vestidos e em frente a um helicóptero num cânion. Talvez por isso, em pouco mais de 15 horas no ar, apenas duas doações — anônimas — foram feitas, totalizando US$ 80 dólares.

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"Olá, aqui é Zach Mankin, marido de Katiuscia, se você não sabe. Minha esposa foi deportada e presa injustamente no Brasil, então estou arrecadando dinheiro para me ajudar com os animais, ter dinheiro para comer e um teto sobre nossas cabeças até que possamos viajar para o Brasil, onde minha esposa está. Qualquer coisa ajuda, preciso de US$ 1.500. Obrigado se você apoiar!!!", escreveu o americano na plataforma GoFundMe.

No grupo que mantém com seguidoras fiéis de Kat, Zachary foi questionado por uma mulher, que disse que a mídia brasileira estaria divulgando que o casal pediu um empréstimo de US$ 3,5 milhões, o que poderia dificultar a obtenção de doações. Ele responde, dando mais detalhes sobre a situação que estaria vivendo no Texas.

"Isso não é verdade! Se fosse, eu não estaria quase sem-teto com oito animais e comendo apenas macarrão de US$ 1 dólar agora! Qualquer coisa ajuda se você não quiser postar novamente, você não precisa", respondeu Zachary, em um número americano atribuído a Kat Torres, e utilizando um português diferente do texto de tradutor online visto na vaquinha.

Denúncias de extorsão e exploração

Katiuscia está presa preventivamente em Minas Gerais por determinação da Justiça Federal de São Paulo desde novembro. Ela é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF) pelo crime de submeter pessoas a condições análogas à escravidão nos EUA. As denúncias dão conta de que a mulher liderava uma seita que enganava brasileiras e as recrutava para os Estados Unidos, onde eram supostamente extorquidas, mantidas em cárcere privado e obrigadas a se prostituir. Os casos de maior repercussão, e que deram início às investigações em solo brasileiro, foram os da mineira Letícia Maia Alvarenga, de 21 anos, e da paulista Desirrê Freitas, de 26 anos, que chegaram a ser dadas como desaparecidas pelas famílias; elas já retornaram ao Brasil.

O MPF já soma dezenas de denúncias. Algumas delas, foram publicadas pelo GLOBO no fim do ano passado. Supostas vítimas já afirmaram aos investigadores, inclusive, que Zachary Menkin teria papel no esquema de exploração sexual que é investigado. Ele seria o responsável por levar as garotas de carro até os potenciais clientes do esquema de "sugar baby".

A defesa de Katiuscia Torres Soares nega todas as acusações. Questionado sobre a situação relatada por Zachary na vaquinha, e também sobre o desejo manifestado de vir ao Brasil para ajudar a namorada, o advogado Rodrigo Alves da Silva Menezes não retornou à reportagem.