'Estou escondido do mundo, preciso viver esse luto', diz João Bosco

Sérgio Luz

RIO — Originária da região amazônica, a árvore que dá nome ao novo disco de João Bosco “tem um fruto com forma de esfera fechada, dura, mas que se abre numa flor bonita, exuberante, colorida”, explica o cantor, violonista e compositor de 73 anos. Não à toa, “Abricó-de-macaco”— cujo DVD será exibido nesta quarta (13/5), às 18h, no Canal Brasil, e que chega às plataformas de streaming nesta sexta — serve como uma metáfora perfeita para o país, segundo o músico mineiro.

— Todos veem no Brasil essa exuberância e opulência de uma natureza abençoada. Mas é preciso que essas estações aconteçam, que esse fruto hermeticamente obscuro possa se abrir para ser admirado — explicou ele, ao falar com O GLOBO, no mês passado, às vésperas do lançamento, inicialmente previsto para o dia 17 de abril.

João estava triste. Era a semana da morte de Moraes Moreira, seu vizinho, que sofrera um infarto em casa, na Gávea, Zona Sul do Rio.

— Eu gravei em outubro do ano passado, e já era um buraco onde o Brasil se encontrava. A pandemia deixa mais à vista a nossa desigualdade. Eu estou em casa, não estou com alegria para me apresentar em lives, essas coisas. Preciso viver esse luto antes — lamentou o cantor, cantarolando na sequência uma velha parceria dele e de Aldir Blanc. — Às vezes fico tocando “Caça à raposa”, pensando: “Ah, recomeçar, recomeçar/ como canções e epidemias”. Vamos em pé do jeito que dá. Que isso nos faça seguir em frente.

Um dia após a entrevista, veio a informação de que Aldir não estava bem. Ao saber que o grande parceiro fora internado com Covid-19, Bosco adiou o lançamento do disco. No último dia 4, amanheceu com a notícia da morte do amigo. E desabafou numa rede social: “A cada show, cada canção, em cada cidade, era ele que falava em mim. Mesmo quando estivemos afastados, ele esteve comigo. E quando nos reaproximamos foi como se tivéssemos apenas nos despedido na madrugada anterior. (...). Não existe João sem Aldir..."

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