'Estou mais triste que feliz', diz embaixadora da Sérvia após derrota para a seleção brasileira

Cerca de 40 sérvios acompanharam o jogo contra a seleção brasileira na tarde desta quinta-feira, na embaixada do país europeu, em Brasília. Um telão e caixas de som foram instalados no segundo andar da mansão que abriga a residência oficial da embaixadora, Jelena Blazevic.

— Não sei quem vai ganhar, pode ser que dê empate. Vamos deixar os homens jogarem — disse Blazevic ao GLOBO, aos risos, antes do início da partida.

Após a derrota, porém, a embaixadora saiu do muro e admitiu ter ficado decepcionada com o resultado:

— É claro que estou triste, mas também estou feliz porque estou aqui com muitos amigos brasileiros. Mas estou mais triste que feliz — disse a embaixadora.

Segundo ela, 15 famílias de sérvios vivem em Brasília, a maioria de pessoas que se casaram com brasileiros. Muitas delas estavam acomodadas nos sofás do salão adornado com bandeirinhas nas cores da bandeira sérvia — azul, vermelho e branco — enquanto um garçom servia refrigerantes e cerveja. No Brasil, segundo Blazevic, há cerca de 500 sérvios.

Quando um deles era chamado para conceder uma entrevista a jornalistas brasileiros presentes no local, a primeira dificuldade: eram obrigados a escrever seus nomes num papel, já que os brasileiros não puderam compreender o idioma do país que, na linguagem original, se chama "Srbija".

O engenheiro Nebojsa Puzic, de 46 anos, que há 25 anos vive no Brasil, disse que iria torcer para o empate. O motivo: a mulher e as duas filhas são brasileiras.

— Eu queria muito o empate, entendeu? Mas está tenso, o Brasil está dominando. A gente tem uma boa história com o Brasil na época da Iugoslávia. O Brasil lembra a Iugoslávia como um time muito respeitoso — disse, em referência ao país que ficava em território sérvio antes da guerra civil iugoslava.

Para o produtor de adubo Boban Jovanovic, 36 anos, a expectativa também era de empate. Casado com uma brasileira, ele se mudou ao país com a família, porque seu pai era diplomata.

— A seleção sérvia está muito forte este ano. Me parece que na fase de grupo vão passar Brasil e Sérvia, é a minha expectativa.

No intervalo após o primeiro tempo, foram servidos "Kiflitza", um pãozinho recheado de ricota.

— É o pão de queijo da Sérvia — disse Puzic.

Os gritos de torcida e desespero se mesclaram nos lances de perigo, mas quando Richarlison fez o primeiro gol, a comemoração superou os grunhidos de derrota. No segundo gol, de voleio, a embaixada do país da Europa pareceu habitada só por brasileiros — exceto pela expressão de Blazevic, a embaixadora, que baixou a cabeça, escondendo o rosto com a mão, em silêncio.