'Estou me sentindo bem, bonita, empoderada mesmo', diz Gloria Pires

Mariana Weber
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Renan Oliveira
Renan Oliveira

Gloria Pires não fala sobre política — essa é a premissa de sua assessora antes de a entrevista começar. Também não dá detalhes sobre os trabalhos que fez e dos quais se arrependeu. E não comenta o comportamento de terceiros. Tudo isso, avisa uma das maiores atrizes do Brasil, é consequência do feito de aprender a dizer não. Graças a ele, hoje consegue estabelecer melhor seus limites, inclusive em sua própria casa.

Se a maturidade trouxe sono difícil e cabelos brancos (assumidos, apesar de protestos familiares), trouxe também mais liberdade para se mostrar como realmente é. Não que envelhecer seja moleza. “Mas é mais fácil quando você abraça essa condição”, diz. Durante o confinamento, a atriz chegou a tingir os fios para uma campanha publicitária. Depois voltou a deixá-los ao natural. “Estou me sentindo bem, bonita, empoderada mesmo.” Foi também durante a quarentena que a atriz retomou o convívio com toda a família dentro de casa: o marido, o cantor Orlando Morais, os quatro filhos (Cleo, Antonia, Ana e Bento) e o gato Garfield. “Fomos para a casa de Brasília pensando em passar um ou dois meses e ficamos seis”, lembra. “Junto com o susto, com a expectativa, com o medo, tive momentos de muito prazer, de estar com a família sem ter que sair, viajar, tirar férias.”

A seguir, alguns destaques da conversa.

Quarentena

“Foi algo novo ter o marido e os quatro filhos dentro da minha casa. A melhor parte foi isso, estar com eles. Duas filhas já moravam sozinhas, teve essa volta. E o Orlando é uma pessoa que viaja muito. Então, como casal, a gente também teve que fazer ajustes. Sou uma pessoa que adora a liberdade, mas acho que as limitações trazem ensinamentos. Sinto que aprendi muitas coisas. Uma delas foi assumir o meu lugar como dona da casa e mãe dessa família. Na lida diária.”

Gloria Pires fala sobre dificuldades familiares na quarentena e sexo aos 57

Cabelo branco

“Eu estava querendo deixar meu cabelo branco há algum tempo. Mas na última novela, ‘Éramos seis’, como transcorriam 30 anos na história, seria complicado: o consenso foi que eu deveria ter o cabelo pintado e ir fazendo os brancos de acordo com a continuidade. Quando acabou, falei: ‘Agora vou deixar’. Todo mundo foi contra, o marido, os filhos. Mas fui ficando. E estou adorando. Estou me sentindo bem, bonita, empoderada mesmo.”

Envelhecimento

“O sono muda muito. Tem vezes que durmo melhor, tem vezes que durmo pior — me trato com medicina ortomolecular, tenho uma suplementação, faço meditação. Mas é um processo. É mais fácil quando você abraça essa condição. Vivi 57 anos, tenho rugas, flacidez, estes cabelos são meus. E isso não me faz sofrer. Quando eu era mais jovem, talvez pensasse neste momento com mais dificuldade. E minha saúde é melhor agora: quero ter saúde para curtir minha velhice e tudo pelo que trabalhei. A menopausa está rolando bem. Fiquei com receio no início. Mas não está sofrido.”