Estrangeiros tiram R$ 44,8 bilhões da Bolsa este ano, valor recorde

SÃO PAULO — Dados da B3 até o dia 4 de março, mostram uma saída de R$ 44,8 bilhões de recursos estrageiros da Bolsa, a maior retirada da história. Em menos de três meses, já saíram mais recursos do que em todo o ano de 2019 - quando os estrangeiros retiraram R$ 44,5 bilhões.

— A saída de capital também pressiona moeda americana frente ao real - diz Fabrizio Velloni, diretor da frente corretora de câmbio.

Com baixo crescimento e atraso no andamento das reformdas tributária e administrativa, os estrangeiros tiram dinheiro do país, assim como dos demais países emergentes.

Outro indicador que mostra que a confiança do investidor no Brasil piorou é o CDS (o chamado risco-país, medido pelo credit default swap). Esse indicador saltou 14,4% nesta quinta-feira, para 129 pontos centesimais, segundo dados da Bloomberg. Foi a maior alta desde a divulgação dos áudios entre Joesley Batista e o então presidente Michel Temer, em maio de 2017, quando subiu 29%. Nesta sexta, o indicador subiu a 143 pontos.

Analistas observam que com a taxa de juro no menor patamar histórico e com a possibilidade de o Banco Central reduzir ainda mais a Selic, a atratividade do real fica comprometida.

Nesta sexta, a equipe de economistas do Itaú unibanco reduziu a projeção de crescimento do PIB brasileiro, este ano, de 2,2% para 1,8%. Sinais de arrefecimento da atividade econômica no primeiro trimestre e efeitos negativos da desaceleração da economia global levaram à mudança. Para 2021, a projeção de crescimento de 3% foi mantida.