Estratégia de Biden de lidar com Arábia Saudita como pária estremece com o mundo precisando de petróleo

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Em sua visita à Arábia Saudita no mês que vem, o presidente americano, Joe Biden, tentará reatar os laços desgastados com o país e com seu líder de fato, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, uma viagem que marca uma reversão da promessa do chefe de Estado de tornar o reino um “pária” em relação aos direitos humanos.

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A visita encerrará quatro dias de viagem na região, que também inclui paradas em Israel e na Cisjordânia, onde se encontrará com o primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Mas a parada no reino começa a se tornar o evento principal da turnê, já que Biden procurará persuadir o país do aumento na produção de petróleo, e tentar diminuir os preços recordes da gasolina, além de rebater as críticas de que vem suavizando suas objeções ao histórico de direitos humanos do reino, incluindo o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, colunista do Washington Post, que vivia nos EUA.

A disposição do presidente americano de viajar para o reino mostra até que ponto seus esforços para reduzir os preços da gasolina e isolar ainda mais a Rússia por sua invasão da Ucrânia anularam seu desejo de adotar uma linha mais dura contra Riad.

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Em 2019, Biden prometeu tornar o reino “a pária que eles são”, e seu governo divulgou um relatório, no ano passado, revelando que o príncipe herdeiro saudita foi responsável pelo assassinato de Khashoggi em 2018, dentro do consulado do reino em Istambul. Biden também se recusou a falar diretamente com MBS, como o príncipe é conhecido — segundo seu governo, sua contraparte apropriada era o secretário de Defesa, Lloyd Austin. O príncipe herdeiro negou ter ordenado o assassinato de Khashoggi, mas assumiu a responsabilidade como governante de fato de seu país.

Meses de diplomacia

A corda bamba diplomática de Biden ficou evidente nos anúncios sobre a viagem — os documentos oficiais dos EUA não mencionavam qualquer reunião com o príncipe herdeiro; autoridades americanas disseram apenas que ele e Biden devem se encontrar.

Um comunicado da embaixada saudita em Washington, no entanto, disse categoricamente que Biden e o príncipe teriam “conversas oficiais”. Segundo a declaração da embaixada saudita, os dois líderes se concentrarão em uma variedade de questões, incluindo investimento econômico, segurança cibernética, clima, segurança alimentar e energética.

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Biden viajará de 13 a 16 de julho e, oficialmente, deve se reunir com uma dezena de líderes estrangeiros durante uma cúpula regional em Jeddah, incluindo uma sessão virtual com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o líder dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed Bin Zayed.

O presidente se recusou a comentar o tema nesta terça-feira. Mas, pressionada por repórteres, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, confirmou:

— Sim, podemos esperar que o presidente encontre o príncipe herdeiro também.

Um alto funcionário do governo, disse, sob condição de anonimato, que a visita é o resultado de meses de diplomacia dos EUA com a Arábia Saudita e países do Oriente Médio, e que o relacionamento entre os dois países "exigia uma recalibração", mas nunca houve um rompimento.

Biden também já criticou anteriormente a campanha aérea de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita contra militantes houthis na guerra civil do Iêmen, na qual dezenas de milhares de civis morreram, segundo a ONU.

A invasão da Ucrânia pela Rússia no final de fevereiro, no entanto, reordenou as prioridades diplomáticas de Biden em todo o mundo, inclusive no Oriente Médio, rico em petróleo. O presidente americano tem se esforçado para aumentar o fornecimento global de energia para substituir a produção russa e conter os preços crescentes da gasolina que prejudicaram sua posição política. Os preços da gasolina, ao mesmo tempo, estão pesando sobre seu partido nas eleições de meio de mandato de novembro — o preço médio do galão é superior a US$ 5 nacionalmente, de acordo com a Associação Automobilística Americana (AAA).

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A Opep +, organização que reúne os principais exportadores de petróleo do mundo mais a Rússia, liderada pela Arábia Saudita, concordou no início deste mês com um aumento modesto na produção de petróleo em julho e agosto, um gesto que foi bem recebido pelo governo americano. E veio depois de várias visitas à Arábia Saudita de Brett McGurk, o principal conselheiro da Casa Branca para o Oriente Médio, e Amos Hochstein, conselheiro sênior do Departamento de Estado para segurança energética.

Biden também elogiou o papel da Arábia Saudita na intermediação de uma extensão de uma trégua no Iêmen: “A Arábia Saudita demonstrou uma liderança corajosa ao tomar iniciativas desde o início para endossar e implementar os termos da trégua liderada pela ONU”, disse o presidente americano, em comunicado este mês.

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Segundo um alto funcionário do governo, o príncipe herdeiro de fato desempenhou um papel crítico na obtenção da trégua, que teria resultado em um dos períodos mais pacíficos desde o início da guerra, há sete anos. O funcionário afirmou ainda que a trégua é um exemplo de por que o envolvimento contínuo dos EUA com a Arábia Saudita é importante.

Biden, no entanto, já deixou claro que levantaria questões de direitos humanos se decidisse visitar a Arábia Saudita:

—Não vou mudar minha visão sobre direitos humanos — garantiu.

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