Estratégia para o Canal da Mancha questionada em França

2022 é já o ano com o maior número travessias ilegais do Canal da Mancha. França e Reino Unido assinaram esta segunda-feira um acordo para reforçar a vigilância da passagem, mas as associações que trabalham com os imigrantes no porto francês de Calais duvidam da eficácia do protocolo. Mais, dizem que não só não resolve o problema como fomenta as redes ilegais.

Pierre Roques, coordenador da associação Auberge des Migrants, questiona o resultado do aumento em 40% do número de agentes envolvidos nas patrulhas.

"O que vai acontecer? Tudo isto reforça as redes de travessia e torna-as indispensáveis. É o que tem sido observado durante anos de forma empírica: quanto mais agentes policiais se colocam nas praias, mais se encorajam as redes ilegais. É uma serpente que morde a sua própria cauda," afirma.

O governo britânico vai pagar 72 milhões de euros para apoiar o esforço franceses. Mais 350 polícias e guardas vão ser mobilizados para o patrulhamento das costas.

Para as autoridades locais de Calais, o reforço de meios anunciado não chega para cobrir os 150 quilómetros de costa entre a baía do Somme e a fronteira belga. A autarquia pede um esforço internacional.

"Diz-se que muitos dos pequenos barcos que são trazidos para a costa vêm da Alemanha. Talvez os serviços secretos alemães, belgas e holandeses também devam ser envolvidos. Na realidade de toda a Europa," diz 01 Philippe Mignonet, vice-presidente da Câmara de Calais.

Só este ano, mais de 40 mil pessoas chegaram à costa britânica depois de uma travessia ilegal do Canal da Mancha. Um aumento de 70% face ao mesmo período do ano passado. Dezenas perderam a vida na viagem.