Estreantes ou veteranas, as rainhas de bateria brilharam na Sapucaí

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“Fu-ri-o-sa”. Como uma maestrina, a Rainha de bateria do Salgueiro, Viviane Araújo, regia a orquestra na arquibancada do setor 1 na entrada da vermelha e branca na Avenida. Vestida de cabocla Jurema, ela usava uma cabeça mais leve e uma sandália mais baixa, de salto mais grosso: tudo como manda o figurino. Aliás, tudo como manda a recomendação médica para a mãe de Joaquim, aos 5 meses de gravidez.

— Vou economizar muito, porque eu não posso sambar, tem de ser bem devagarzinho — disse Vivi antes do desfile, escoltada pelo marido, o empresário Guilherme Militão.

À frente da Furiosa desde 2008, ela classificou o desfile deste ano como o mais emocionante de sua vida, tanto pela gravidez quanto pelo retorno à Avenida:

— Estou muito emocionada com a volta dessa festa, tanta gente que vive, que ama isso aqui. Eu senti muito esse afastamento. A gente está voltando e eu estou feliz em dobro, realizando um sonho. Sempre deixei clara a minha vontade de desfilar grávida, e Deus permitiu.

A primeira rainha a riscar o chão da Avenida foi Iza, à frente da bateria da Imperatriz Leopoldinense. Ela estava radiante em sua estreia no posto no Grupo Especial. A cantora e compositora debutou à frente da escola em 2020, quando a verde e branca de Ramos foi campeã do grupo de acesso:

— Estou muito feliz de voltar para cá, de a comunidade estar realizando este sonho de voltar ao Grupo Especial. As pessoas vivem e respiram carnaval na comunidade. A Imperatriz está linda e eu estou muito orgulhosa de fazer essa abertura.

Nascida e criada na comunidade, a rainha da Mangueira Evelyn Bastos foi para a Sapucaí fantasiada de realeza favelada, cravejada de cristais da coroa na cabeça às sandálias nos pés. A dona do posto desde 2014 ostentava um maiô super cavado, longos cabelos de lace rosa e a faixa de “cria do morro”.

— A faixa é um recado. Na cabeça das pessoas ainda é pejorativo o termo “favelado”. E a gente entra aqui na Marquês de Sapucaí contando a história de três favelados que foram projetados do morro, da favela para o mundo — resumiu Evelyn, que tem DNA mangueirense: é filha de Valéria Bastos, que esteve no posto entre 1987 e 1989.

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