ESTREIA–Apesar da falta de novidades, “Guardiões da Galáxia Vol. 2” ainda diverte

Ator Kurt Russell na pré-estreia de “Guardiões da Galáxia Vol. 2” em Londres. 24/04/2017 REUTERS/Hannah McKay

SÃO PAULO (Reuters) - Não deixa de ser curioso como duas das maiores extravagâncias cinematográficas da temporada tenham, ao centro, a família como tema. Primeiro foi “Velozes e Furiosos 8”, algumas semanas atrás, e agora o bem melhor “Guardiões da Galáxia Vol. 2”, que coloca como trama principal Peter Quill (Chris Pratt) encontrando o pai que nunca conheceu e afastando-se de sua família postiça, formada no primeiro filme, de 2014.

Quando o diretor James Gunn realizou “Guardiões da Galáxia Vol. 1”, um sucesso inesperado, colocou para si mesmo um desafio: fez uma comédia de ficção científica e ação tão boa, mas tão boa, que dificilmente conseguiria se superar. E não consegue, embora o nível também não tenha baixado.

Aqui, apesar de estar tudo novamente no lugar (ou, precisamente, por causa disso) não há o frescor da novidade. Além disso, com o aumento do orçamento e da responsabilidade na bilheteria, o segundo filme se esforça demais, o tempo todo, na verdade, para agradar e fazer rir. E, como tudo o que é em excesso uma hora se torna demais, eventualmente perde o ritmo.

Nada que seja o suficiente, no entanto, para minar o potencial cômico, ainda que pareça desnecessária uma duração de 137 minutos e um pouco demais as cinco cenas extras intercaladas nos créditos finais -- que funcionam mais como trechos de um trailer para um Vol. 3.

Ainda assim, Quill e sua trupe conseguem em geral se sair bem nessa espécie de sátira às óperas espaciais – “Star Wars” é, obviamente, um alvo e uma inspiração.

O filme começa com um flashback, com Kurt Russell digitalmente rejuvenescido seduzindo a mãe de Quill, na Terra, ao som de uma música cafona dos anos de 1970. Esse é só o começo de uma história que terá como uma de suas tramas a tentativa do protagonista se aproximar do pai que nunca conheceu, cujo nome, Ego, é bastante apropriado, como se verá.

Ao contrário do longa original, no qual os Guardiões se conheceram e se odiavam mutuamente, aqui ainda existe mais amor do que ódio, embora uma tensão entre o grupo nunca se dissipe.

A missão deles aqui envolve uma princesa dourada, chamada Ayesha (Elizabeth Debicki), governante de um povo rico e moderno que desconhece o sexo, de quem os heróis do filme roubam poderosas baterias. Por isso, ela quer se vingar.

Essa parte periférica da trama é mal resolvida mas serve como distração para o grupo de personagens --o guaxinim Rocket (dublado por Bradley Cooper), a mini-árvore bebê Groot (dublado por Vin Diesel) e Nebula (Karen Gillan)-- que não foram para o planeta de Ego, junto com Quill, Gamora (Zoe Saldana ) e Drax (Dave Bautista). Mas, ao que parece, esse episódio irregular nas aventuras dos Guardiões deverá ser retomado no próximo filme.

O planeta de Ego foi criado por ele mesmo, que tem superpoderes que foram, parcialmente, herdados pelo filho Peter –, e é a perfeita tradução do seu ego gigantesco.

Os laços entre os dois se estreitam, mas, ainda assim, há algo que parece não estar certo. A desconfiança só aumenta com o desconforto de Mantis (Pom Klementieff), uma sensitiva e única habitante do planeta, que também é capaz de ajudar Ego a dormir.

Com cada grupo de personagens confinado à sua própria história, que, eventualmente, se cruzará com as outras, o filme, escrito pelo próprio diretor, tem tempo para explorar cada um de seus dramas -- especialmente os familiares, incluindo a rivalidade entre Gamora e sua irmã, a vilã Nebula, que os Guardiões capturaram e mantêm em sua nave.

Há também uma outra figura, interpretada por Sylvester Stallone, que aparecem em pouquíssimas cenas, apesar do destaque do nome nos créditos, e deve ter uma participação maior no Vol. 3 00 que ainda nem começou a ser filmado.

Mantendo a tradição criada pelo original, um dos destaques em “Guardiões da Galáxia Vol. 2” é a trilha sonora com clássicos dos anos 70, que inclui Fletwood Mac, ELO, George Harrison e Cat Stevens, no momento mais emotivo do filme. É uma escolha inspirada de nostalgia e kitsch que, na maior parte do tempo, anda de mãos dadas com o visual levemente retrô.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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